SALVAR O FOGO: IGREJA, INTERDITO E TRANSGRESSÃO / SALVAR O FOGO: CHURCH, PROHIBITION AND TRANSGRESSION

Autores

  • Carlos André de Alcântara da Silva Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

DOI:

https://doi.org/10.30681/athena.v33i02.15594

Palavras-chave:

Imposição, Mosteiro, Proibição

Resumo

Este trabalho tem como objeto a obra Salvar o Fogo (2023), de Itamar Vieira Junior. O objetivo central é compreender os impactos das interdições impostas pela Igreja, representadas na obra pelo Mosteiro de Santo Antônio, que atua como símbolo da pastoral do medo e da repressão às práticas religiosas de matrizes africanas e ameríndia. A metodologia adotada fundamenta-se em leitura crítica da obra, articulada com referenciais teóricos que permitem compreender os interditos e transgressões (Bataille, 2019, 2022), os mecanismos de perseguição e sacrifício (Girard, 2004), bem como o processo histórico de imposição do Cristianismo no Brasil (Vainfas, 1997; Souza, 2005). Os resultados da análise apontam para a relevância da obra como instrumento de reflexão crítica sobre memória e identidade cultural. Ao dar voz a Luzia, o autor expõe a violência simbólica e material sofrida por comunidades que resistem às imposições religiosas, ao mesmo tempo em que valoriza os saberes ancestrais interditados pela Igreja. Conclui-se que Salvar o Fogo transcende o plano ficcional ao propor uma leitura crítica sobre cultura, poder e religião. A obra reafirma o papel da literatura como espaço de denúncia e resistência, capaz de resgatar vozes marginalizadas e de questionar as estruturas que perpetuam exclusão e silenciamento. 

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Biografia do Autor

  • Carlos André de Alcântara da Silva, Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

    Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL), da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Tangará da Serra-MT. Bolsista CAPES. 

Referências

BATAILLE, G. Documents: Georges Bataille. Tradução: João Camillo; Marcelo Jacques. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2019.

BATAILLE, G. O erotismo. Tradução: Fernando Scheibe. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2021.

GIRARD, R. O bode expiatório. Tradução: Ivo Storniolo. 1. ed. São Paulo: Paulus Editora, 2004.

SIMAS, L. A.; RUFINO, L. Encantamento: sobre política de vida. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2020.

SOUZA, L. de M. O diabo e a terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colônia. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

VAINFAS, R. Trópicos dos pecados: moral, sexualidade e inquisição no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1997. (Coleção Histórias do Brasil)

VIEIRA JUNIOR, I. Salvar o fogo. 2. ed. São Paulo: Todavia, 2023.

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Publicado

2026-08-08

Edição

Seção

ARTIGOS/ ENSAIOS

Como Citar

Silva, C. A. de A. da. (2026). SALVAR O FOGO: IGREJA, INTERDITO E TRANSGRESSÃO / SALVAR O FOGO: CHURCH, PROHIBITION AND TRANSGRESSION. Revista Athena, 33(02), 5-15. https://doi.org/10.30681/athena.v33i02.15594