VIVER PARA CONTAR PARA VIVER
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v32i2.15299Palavras-chave:
Autobiografia, Identidade narrativa, Hermenêutica, Memória, Paul Ricoeur, SubjetividadeResumo
Este texto reúne anotações produzidas a partir da leitura e da tradução ao português de Réflexion faite — Autobiographie intellectuelle, de Paul Ricoeur. Sem pretensão exegética, busca explorar concordâncias e tensões entre o gênero autobiográfico
e a noção ricoeuriana de identidade narrativa. Retoma-se o pacto autobiográfico e alguns antecedentes das escritas de si para situar a autobiografia intelectual como operação hermenêutica: narrar não é apenas relatar fatos, mas refigurar uma vida à luz de perguntas disputadas, memórias, escolhas e acontecimentos. Em seguida, discute-se o lugar relativamente discreto da autobiografia na produção de Ricoeur e como, em textos sobre narrativa, memória e sofrimento, a vida é abordada como história em busca de narrador. Por fim, argumenta-se que a narração do si, com e para os outros, ilumina o percurso do conhecimento de si, sem reduzir a diferença entre fatos de uma vida e os sentidos que deles se extraem.