DE OSSOS A ASAS: SIMBOLISMO NUMÉRICO E SILENCIAMENTO NO PROJETO GRÁFICO EM JARDIM DE OSSOS, DE MARLI WALKER
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v32i2.15305Palavras-chave:
Anomalia simbólica, Transformação feminina, Vozes fragmentadasResumo
O projeto gráfico da obra de Jardim de ossos (2020) se apresenta como uma extensão simbólica da narrativa, funcionando como um elemento literário que reforça a temática central da obra: a memória e o silenciamento de mulheres ao longo da história. A borboleta, tradicionalmente símbolo de liberdade e transformação, surge aqui de forma subvertida — representada apenas por membranas que lembram ossos, como se a vida tivesse sido esvaziada, restando apenas vestígios. A paleta em tons esbranquiçados remete diretamente à cor dos ossos, evocando ausência, morte e silêncio. Um detalhe visual marcante é a presença de borboletas com seis asas — uma anomalia intencional. Enquanto o inseto real possui apenas duas, a multiplicação para seis evoca o número 6 na numerologia, associado à energia feminina, ao cuidado e à responsabilidade. No contexto literário da obra, esse número adquire um sentido trágico: representa as múltiplas vozes femininas apagadas, fragmentadas, que tentam emergir da estrutura óssea do silêncio.
Essa leitura literária do projeto gráfico é sustentada por autores como Helena Armstrong (2021); Ligia Fascioni (2014); Schmidt e Perez (2017); Gonçalves (2019). Assim, o projeto gráfico não apenas ilustra, mas amplia a experiência literária, atuando como linguagem visual que comunica e denuncia.