RUMINAR MNEMÔNICO: METÁFORAS DE MORTE E MEMÓRIA EM IT LASTS FOREVER AND THEN IT’S OVER

Autores

  • André Pithon

DOI:

https://doi.org/10.30681/alere.v32i2.15309

Palavras-chave:

Mem´ória, Identidade, Zumbi, Monstros

Resumo

Este artigo propõe analisar o romance de estreia de Anne de Marcken, It Lasts Forever and Then It’s Over (2024) a partir da articulação entre os estudos sobre memória e identidade com a figura do monstruosa do zumbi, transfigurado pelas novas possibilidades de interpretação contidas na obra. Partindo do pressuposto de que o livro, embora se apresente como uma narrativa zumbi, configura-se como uma meditação sobre o esquecimento e a desintegração do passado, o estudo tem como objetivo central investigar como a protagonista anônima, em seu processo de zumbificação, personifica uma fome mnemônica, ancorando-se na ideia de digestão ruminante como uma metáfora para a memória de Aleida Assmann (2011). Também balizando as discussão apresentadas, serão empregadas as reflexões de Paul Ricoeur (2007) sobre memória e esquecimento, de Stuart Hall (2014) sobre a construção fragmentária das identidades, e de Jeffrey Cohen (1996) sobre a corporeidade monstruosa. A análise demonstra que a fome da protagonista transcende o desejo canibalístico, manifestando-se como uma voracidade por memórias e por um núcleo identitário que se esvai, levando-a a uma jornada melancólica e introspectiva. Conclui-se que o romance opera uma nova interpretação da figura do zumbi, figurando uma encarnação do luto, da saudade e de uma identidade desancorada de tudo.

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Publicado

2026-06-15

Como Citar

Pithon, A. (2026). RUMINAR MNEMÔNICO: METÁFORAS DE MORTE E MEMÓRIA EM IT LASTS FOREVER AND THEN IT’S OVER. Revista Alere, 32(2), 236-252. https://doi.org/10.30681/alere.v32i2.15309