CONTRA A NARRATIVIDADE
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v32i2.15311Palavras-chave:
NarrativaResumo
Eu argumento contra duas alegações populares. A primeira é uma tese descritiva e empírica sobre a natureza da experiência humana comum: ‘cada um de nós constrói e vive uma “narrativa”… essa narrativa somos nós, nossas identidades› (Oliver Sacks); ‹o eu é uma história perpetuamente reescrita… no final, nos tornamos as narrativas autobiográficas pelas quais “contamos sobre” nossas vidas’ (Jerry Bruner); ‘somos todos romancistas virtuosos… Tentamos fazer todo o nosso material coeso em uma única boa história. E essa história é nossa autobiografia. O principal personagem fictício… dessa autobiografia é o eu’ (Dan Dennett). A segunda é uma alegação normativa e ética: devemos viver nossas vidas narrativamente, ou como uma história; uma ‘condição básica para dar sentido a nós mesmos é que apreendemos nossas vidas em uma narrativa’ e tenhamos uma compreensão de nossas vidas ‘como uma história em desenvolvimento’ (Charles Taylor). Uma pessoa ‘cria sua identidade [apenas] formando uma narrativa autobiográfica — uma história de sua vida’, e deve estar de posse de uma narrativa completa e ‘explícita [de sua vida] para se desenvolver completamente como pessoa’ (Marya Schechtman).