ENTRE A CONCISÃO E O IMPACTO: O CONTO DE COLASANTI COMO CRÍTICA À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v32i2.15315Palavras-chave:
Conto moderno, Literatura, Objetificação feminina, Violência simbólicaResumo
Ao longo da história, o conto tem sido amplamente analisado por estudiosos que destacam sua concisão, intensidade e capacidade de produzir efeitos expressivos no leitor. Nesse contexto, sobressai a obra de Marina Colasanti, cuja escrita ficcional aborda o universo feminino de modo crítico, evidenciando as estruturas patriarcais que condicionam a experiência das mulheres. Diante disso, o presente artigo tem como objetivo discutir a objetificação da mulher no conto “Para que ninguém a quisesse”, de Marina Colasanti (1986), a fim de compreender seu alcance crítico como forma de denúncia de uma realidade ainda recorrente. A pesquisa fundamenta-se em autores como Gotlib (2006), Cortázar (2006), Butler (1998), Bourdieu (2010), Saffioti (2004), Eco (2007), Candido (1972, 2023) e Zanello (2022). Em síntese, a narrativa evidencia a violência doméstica como um ciclo de dominação e submissão que, paradoxalmente, esvazia o impulso possessivo que a sustenta. Inserido em uma estrutura patriarcal, o conto explicita a dificuldade de ruptura com discursos que restringem a autonomia feminina e naturalizam práticas violadoras de direitos. Ademais, dialoga com teorias fundamentais do conto, o que demonstra sua potência como forma literária capaz de representar, de modo sintético e impactante, os efeitos da violência e da objetificação na experiência feminina.