“DE OUTROS ESPAÇOS”, O ESPAÇO URBANO, EM BEBEL QUE A CIDADE COMEU, DE IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
DOI:
https://doi.org/10.30681/athena.v29i02.14368Palavras-chave:
Bebel que a cidade comeu. Cidade. Espaço Urbano. Espaço Público.Resumo
As relações da vida privada dos personagens e o espaço urbano que vemos o valhacouto do
espaço público. Num cenário urbano caótico e opressivo, ressalta Brandão: “odeia sua gente. Ela não se
importa. Nem de onde vieram, nem para onde vão. Odeia, com a força de seu aço, cimento, asfalto, vidros,
tijolos, trilhos, postes. Detesta cada humano que corre como o sangue por suas ruas-veias” (Brandão,
2001a, p. 372-373). Atua como um monstro voraz que destrói os idealistas. No corpus literário percebemos
uma contradição, essas personagens não conseguem deixá-la, pois a cidade é o lugar que atrai, tornou-se
um polo de atração e repúdio. DaMatta (1997, p.19) ressalta “para que se possa “ver” e “sentir” o espaço,
torna-se necessário situar-se. E nisso, alguns espaços urbanos são equacionados em suas atividades com
rotinas e atividades específicas, como: não dormimos na rua, não fazemos amor nas varadas, não ficamos
nus em públicos, não comemos com comensais desconhecidos, entre outros. Nessa gramática dos espaços,
conforme DaMatta, Bebel então burlou a regra e tomou o primeiro porre de vinho no meio do cheiro de
urina podre em volta da rua. “Entrou por uma ruazinha que fedia a remédios. (Brandão, 2001ª, p. 22).
É desses e de outros espaços obsoletos que no romance despontam. Tomar uma cidade é pertencer a ela.
Bebel e seus amigos tentam conciliar o percurso, na tarefa árdua de não ser daquele espaço (urbano), mas
de outro (interiorano). Ressaltamos que se encontra em andamento a pesquisa de doutorado.
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