DO JORNALISMO INDÍGENA AO ETNOJORNALISMO - Entrevista com a jornalista Helena Corozomaé
DOI:
https://doi.org/10.30681/rccs.v12i19.15681Palavras-chave:
Bem Viver, Mato Grosso, comunicação indígena, movimento indígenaResumo
O mês de agosto de 2026 trouxe duas mobilizações marcantes com o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado no dia 9 de agosto desde 1982, e o lançamento de Poranga Marandúa - Manual de Redação do Jornalismo Indígena, na Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 10 de agosto. Como um continuum de mobilização, o Bem-Viver, a defesa socioambiental e a comunicação suscitaram reflexões dos povos e organizações nas redes sociais digitais. Mais que orientações, o Poranga Marandúa apresenta conceitos, práticas e abordagens para uma cobertura que respeite a perspectiva de cada povo e combata estereótipos, racismo, invisibilidade e representações inadequadas, praticados em redações hegemônicas. Este cuidado está incorporado no etnojornalismo, que conta com autonomia editorial comprometida com a defesa da vida e dos territórios para ampliar a visibilidade indígena, suas narrativas e histórias, com a cooperação dos envolvidos que indicam seleção de temas, critérios de relevância, fontes pertinentes, estéticas e linguagens próprias em respeito às culturas ancestrais. Uma das articuladoras do Manual, Helena Corozomaé é a única indígena jornalista em Mato Grosso, com atuação marcada de militância em prol dos Povos. Escritora, repórter, editora, assessora, produtora cultural, cineasta e fotógrafa, Helena Indiara Ferreira Corezomaé é egressa da primeira turma do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo (2010-2015) da Universidade Federal de Mato Grosso, por meio de cotas; é mestre em Antropologia Social (2018) pela instituição. Atuou como jornalista em veículos tradicionais, propondo pautas indígenas e enfrentou desafios no percurso, estando. atualmente, na Operação Amazônia Nativa (OPAN), primeira organização indigenista no país, fundada em 1969. Paralelamente, Helena é conselheira e uma das coordenadoras da rede de cineastas indígenas do Brasil – Katahirine – e conselheira da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor). Em sua visão, há muitos equívocos sobre os povos indígenas, que são sustentados por convenções hegemônicas, dentre as quais o termo “bugres”, pejorativo e inadequado para designar os indígenas – o seu território ancestral localiza-se no município de Barra do Bugres que, segundo a jornalista, deveria ser Barra “dos Balatiponé”. Na entrevista, a revista Comunicação, Cultura e Sociedade discute o etnojornalismo e o Outro no Jornalismo, tendo por base Poranga Marandúa.
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