Podridão de escleródio em espécies florestais

Autores

  • Bruno Paiva Programa de Pós-Graduação em Agronomia Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Unidade Universitária de Aquidauana
  • Fernando Montezano Fernandes Programa de Pós-Graduação em Fitopatologia PATOMOL/BIOAGRO - Laboratório de Patologia Molecular Florestal UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV
  • Auigner Ruis Dias da Silva Programa de Pós-Graduação em Agronomia Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Unidade Universitária de Aquidauana
  • Felipe André Sganzerla Graichen Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Unidade Universistária de Aquidauana https://orcid.org/0000-0003-0516-5042

DOI:

https://doi.org/10.5327/rcaa.v18i2.3727

Palavras-chave:

árvores nativas, Cerrado-Pantanal, podridão de raiz, Sclerotium rolfsii Sacc.

Resumo

O fungo Sclerotium rolfsii é um parasita que causa podridão na base do caule, em uma ampla gama de hospedeiros, que abrange aproximadamente 500 espécies botânicas. O objetivo deste trabalho foi analisar espécies florestais inoculadas ou não com o patógeno Sclerotium rolfsii para identificar quais espécies são resistentes. O fungo foi isolado de plantas de feijoeiro infectado e multiplicado em grãos de arroz. A inoculação foi realizada em mudas com 3 meses de idade, quando foi aplicado 5,6 g de arroz colonizado a 1 cm do coleto de cada planta das espécies: Acacia mangium, Albizia niopoides, Anadenanthera peregrina, Cordia glabrata, Corymbia citriodora, Eucalyptus urograndis, Jacaranda cuspidifolia, Myracroduon urundeuva e Peltophorum dubium. Os parâmetros avaliados foram: altura, massa seca da parte aérea, massa seca da raiz e sobrevivência das plantas. Jacaranda cuspidifolia teve a maior diferença entre as médias da altura em relação às outras espécies, com redução de 37%, seguido de Acacia mangium com 31% e Myracroduon urundeuva com 21%. As mudas de Cordia glabrata, Jacaranda cuspidifolia e Acacia mangium diferem estatisticamente entre as médias de massa seca da parte aérea das inoculadas ou não, com redução de 87%, 72% e 55% respectivamente. A redução da massa das raízes variou de 33 a 88% nas espécies suscetíveis. As espécies de Peltophorum dubium, Anadenanthera peregrina, Albizia niopoides, Eucalyptus urograndis e Corymbia citriodora foram resistentes à ação Sclerotium rolfsii podendo ser utilizadas para recuperação de áreas contaminadas pelo patógeno.

Biografia do Autor

Bruno Paiva, Programa de Pós-Graduação em Agronomia Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Unidade Universitária de Aquidauana

Engenheiro Florestal

Fernando Montezano Fernandes, Programa de Pós-Graduação em Fitopatologia PATOMOL/BIOAGRO - Laboratório de Patologia Molecular Florestal UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV

Engenheiro Florestal, Mestre

Auigner Ruis Dias da Silva, Programa de Pós-Graduação em Agronomia Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Unidade Universitária de Aquidauana

Engenheiro Florestal, Mestre

Felipe André Sganzerla Graichen, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Unidade Universistária de Aquidauana

Engenheiro Agrônomo, Mestre em Fitopatologia, Dr. em Fitopatologia

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Publicado

24/02/2021

Como Citar

Paiva, B., Fernandes, F. M., da Silva, A. R. D., & Graichen, F. A. S. (2021). Podridão de escleródio em espécies florestais. Revista De Ciências Agroambientais, 18(2), 104–110. https://doi.org/10.5327/rcaa.v18i2.3727

Edição

Seção

Ciências Florestais

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