GEOPOESIA AMAZONIAL DE VERENILDE PEREIRA: CIPOAL E RAIZAMA AFRO-INDÍGENAS NAS ÁGUAS DE UM RIO SEM FIM
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.15022Palabras clave:
Geopoesia amazonial, Verenilde Pereira, Raizama, CipoalResumen
Este artigo analisa Um rio sem fim, romance de Verenilde Pereira, a partir da formulação do conceito de cipoal amazonial, compreendido como categoria geopoética de multiplicidade de vozes e modos de saber que estruturam a vida de povos indígenas, afro-amazônicos e ribeirinhos. Em articulação com a noção de raizama, entendida como memória subterrânea que sustenta o visível e o invisível, o estudo demonstra como a narrativa de Pereira converte a experiência histórica de violência missionária, banhada por etnocídios, renomeações e batismos, e apagamento linguístico em narrativa da geopoesia. O romance é lido, assim, como uma escrita de rexistência, na qual silêncios, hesitações, oralidades e cosmologias afro-indígenas confrontam o monologismo colonial. O artigo dialoga com a geopoesia amazonial, com o dialogismo de Bakhtin, com a crítica de Márcio Souza à representação exótica da Amazônia, com a reflexão de Davi Kopenawa sobre a memória viva e com a cosmopoética do refúgio de Dênêtem Touam Bona. Argumenta-se que o encontro entre o cipoal e a raizama, longe de designar caos ou atraso, constitui uma arquitetura relacional de sustentação mútua, opacidade e sobrevivência histórica. A partir desse chão dialógico e desse campo emaranhando, Um rio sem fim 1998; 2025) inscreve uma Amazônia viva, contraditória e plurivocal, na qual a literatura opera como arquivo sensível de corpos, territórios e ancestralidades em movimento, em prosas sem fim.
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