GEOPOESIA AMAZONIAL DE VERENILDE PEREIRA: CIPOAL E RAIZAMA AFRO-INDÍGENAS NAS ÁGUAS DE UM RIO SEM FIM

Autores/as

  • Augusto Rodrigues da Silva Junior UnB/UEA
  • Mario Antonio Paixão UEA
  • Gerlanea Taísa Toledo da Silva UnB

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.15022

Palabras clave:

Geopoesia amazonial, Verenilde Pereira, Raizama, Cipoal

Resumen

Este artigo analisa Um rio sem fim, romance de Verenilde Pereira, a partir da formulação do conceito de cipoal amazonial, compreendido como categoria geopoética de multiplicidade de vozes e modos de saber que estruturam a vida de povos indígenas, afro-amazônicos e ribeirinhos. Em articulação com a noção de raizama, entendida como memória subterrânea que sustenta o visível e o invisível, o estudo demonstra como a narrativa de Pereira converte a experiência histórica de violência missionária, banhada por etnocídios, renomeações e batismos, e apagamento linguístico em narrativa da geopoesia. O romance é lido, assim, como uma escrita de rexistência, na qual silêncios, hesitações, oralidades e cosmologias afro-indígenas confrontam o monologismo colonial. O artigo dialoga com a geopoesia amazonial, com o dialogismo de Bakhtin, com a crítica de Márcio Souza à representação exótica da Amazônia, com a reflexão de Davi Kopenawa sobre a memória viva e com a cosmopoética do refúgio de Dênêtem Touam Bona. Argumenta-se que o encontro entre o cipoal e a raizama, longe de designar caos ou atraso, constitui uma arquitetura relacional de sustentação mútua, opacidade e sobrevivência histórica. A partir desse chão dialógico e desse campo emaranhando, Um rio sem fim 1998; 2025) inscreve uma Amazônia viva, contraditória e plurivocal, na qual a literatura opera como arquivo sensível de corpos, territórios e ancestralidades em movimento, em prosas sem fim.

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Biografía del autor/a

  • Augusto Rodrigues da Silva Junior, UnB/UEA

    Professor Associado III de Literatura Brasileira da Universidade de Brasília.  Bolsista de produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível C. Docente permanente no Programa de Pós-graduação em Literatura - POSLIT/UnB e no Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes da Universidade do Estado do Amazonas - PPGLA/UEA. Atualmente realizando Pós-doutorado em Angola - ISCED/SUMBE. Cursou pós-doutorado em Literatura no programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã pela Universidade de São Paulo (FFLCH/USP/2021). Estágio Pós-Doutoral (Bolsista CAPES/2014-2015) na Universidade do Minho - Braga/Portugal. Doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (2008). Mestrado e Graduação em Literatura pela Universidade Federal de Goiás (UFG/1996-2002). No campo da crítica polifônica, pesquisa: Geopoesia, Narrador da geopoesia Kalunga; Cultura Popular Quilombola (Regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil); Literatura de campo (em diálogo com a educação do campo) Quilombola e Angolana; Teatro de Terreiro, corredor da geopoesia, raizamas, enfronteiramentos (Regiões Centro-este e Norte do país). Pesquisador do NEPED-UFAL (Alagoas).

  • Mario Antonio Paixão , UEA

    Mestrando na Universidade Estadual do Amazonas (Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes). Professor  da Seduc Amazonas.

       
  • Gerlanea Taísa Toledo da Silva, UnB

    Mestranda em Literatura no Programa de Pós-Graduação em literatura da Universidade de Brasília (Póslit/UnB). Graduação em Letras Francês pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Psicologia pela Estácio Alagoas. Segunda Licenciatura em Letras Português e Espanhol. Pesquisadora no Grupo de Pesquisa Crítica Polifônica (unb) e no Nucléo de Pesquisa das Expressões Dramáticas NEPED (UFAL). 

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Publicado

2026-09-20

Número

Sección

Dossiê "Vozes identitárias da literatura indígena brasileira contemporânea: do registro etnográfico à criação literária"

Cómo citar

Silva Junior, A. R. da, Paixão , M. A. ., & Toledo da Silva, G. T. . (2026). GEOPOESIA AMAZONIAL DE VERENILDE PEREIRA: CIPOAL E RAIZAMA AFRO-INDÍGENAS NAS ÁGUAS DE UM RIO SEM FIM. Revista De Letras Norte@mentos, 19(57), 88-109. https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.15022