O universal e o local nas literaturas africanas: uma dicotomia sem suporte

Autores

  • Inocência Mata Universidade de Lisboa – Portugal

Resumo

Este texto pretende discutir a perversa oposição que muitos críticos – geralmente da crítica jornalista – estabelecem entre “local” e “universal” na literatura africana, rotulando como local aquele escritor que traz para a cena literária as urgências da sociedade em que vive. Este pensamento maniqueísta talvez decorra do fato de muita crítica da literatura africana se fazer, ainda, por via de mediações do “centro” que, em rigor, continua a funcionar como “centro metropolitano” e a quem convém a rarefacção (ou desvanecimento) do real histórico. O texto considera um equívoco crítico o estabelecimento de qualquer oposição disjuntiva entre o universal e o local, propondo antes uma articulação conjuntiva de efeito dialético em que o solapamento (ou ultrapassagem) do local gera, pela dinâmica da significação simbólica, o universal. Cabe ao crítico literário, cujo exercício é inseparável das suas opções ideológicas, e também como partícipes de uma memória do sistema literário, para iluminar os sinais de uma identidade que se quer inscrita na agenda da literatura universal nas segmentais identidades civilizacionais.

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Publicado

15/02/2016

Como Citar

Mata, I. (2016). O universal e o local nas literaturas africanas: uma dicotomia sem suporte. Revista ECOS, 1(2). Recuperado de https://periodicos.unemat.br/index.php/ecos/article/view/1052