PARA QUÊ DIZER QUE SOU DA COMUNIDADE? EFEITOS DE SENTIDO PRODUZIDOS EM UM DISCURSO NEGACIONISTA SOBRE A IDENTIDADE CAMPONESA/WHY SAY I BELONG TO THE COMMUNITY? MEANING EFFECTS PRODUCED IN A DENIALIST DISCOURSE ON PEASANT IDENTITY
DOI:
https://doi.org/10.30681/ecos.v37i02.12542Palavras-chave:
Comunidade tradicional. Educação do Campo. Análise do Discurso de Linha Francesa. Decolonialidade. Rede sociotécnica.Resumo
Este estudo propõe um diálogo entre Decolonialidade, Educação e Análise Materialista do Discurso para compreender os efeitos de sentido de um discurso negacionista sobre a identidade campesina, proferido por um aluno de uma escola do campo na Comunidade do Porto Limão. A reflexão teórica baseia-se em Hall (2000), Silva (2000) e Oliveira (2009), Rodríguez Reyes (2016) e outros, que buscam romper com padrões hegemônicos e superar estruturas coloniais. A Comunidade é vista como uma rede sociotécnica complexa de identidades, profundamente conectada à terra e aos elementos naturais, conforme teóricos como Latour (2012, 2019) e Gomes (2018). Utiliza-se a Análise do Discurso de Linha Francesa, Pêcheux (1999, 1983) e Orlandi (2007, 2008, 2010) para ler o corpus como materialidade linguística e histórica. Os dados revelaram tensões na constituição da identidade campesina, destacando a importância da educação na valorização dos saberes locais e na constituição da identidade campesina-pantaneira.
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