DO SILÊNCIO E DO TRÁGICO: UMA LEITURA DE OS CAMINHANTES DE SANTA LUZIA, DE RICARDO RAMOS

Autores

  • Dante Gatto
  • Elcione Ferreira Silva

Resumo

O objetivo deste artigo está em apresentar aspectos da estética de Ricardo Ramos que se entrelaçam: o silêncio e o trágico. Tomamos como objeto a novela Os caminhantes de Santa Luzia e trabalhamos, analiticamente, dois capítulos. O desempenho do narrador evidencia-se significativo. O suporte teórico, neste sentido, foi Norman Friedman, conforme ele apresentou em “O ponto de vista na ficção: o desenvolvimento de um conceito crítico”. No caso, o emprego da onisciência seletiva múltipla adequadamente identifica a interação das personagens com o espaço. A teoria sobre o espaço de Osman Lins, conforme ele identificou na romanesca de Lima Barreto, esclarece que as personagens ambientalizam o espaço e este as caracteriza. O trágico foi amparado pela produtiva tensão entre Dioniso e Apolo, conforme Nietzsche argumentou em O nascimento da tragédia: helenismo e pessimismo. Utilizamos, ainda, as reflexões de Lukács em A teoria do romance para entender como criamos a produtividade do espírito e nos perdemos nesse processo que se constitui situação verdadeiramente trágica em que o silêncio nos resgata da palavra tornada venenosa.

Referências

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Publicado

15/09/2014

Como Citar

Gatto, D., & Silva, E. F. (2014). DO SILÊNCIO E DO TRÁGICO: UMA LEITURA DE OS CAMINHANTES DE SANTA LUZIA, DE RICARDO RAMOS. Revista ECOS, 16(1). Recuperado de https://periodicos.unemat.br/index.php/ecos/article/view/52