A representação da violência em Por qué volvías cada verano de Belén López Peiró
DOI:
https://doi.org/10.30681/fd.v1i14.13967Palavras-chave:
Literatura contemporânea , Violência de gênero, América Latina, Por qué volvías cada verano, Belén López PeiróResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar a representação da violência na obra Por qué volvías cada verano, da escritora argentina Belén López Peiró. A proposta é mostrar como a narrativa expõe os abusos sofridos pela protagonista durante sua adolescência, evidenciando as marcas dessa violência ao longo do texto. A abordagem considera a autoficção como um fator importante para compreender o modo como a autora articula sua experiência, dando voz a tantas mulheres silenciadas. Para isso, o estudo se apoia nas ideias de Philippe Lejeune sobre o pacto autobiográfico e nos apontamentos de Anna Faedrich (2015) sobre a autoficção, além das análises de Lucía De Leone (2022), Mariela Peller e Alejandra Oberti (2020), que discutem a organização textual e as estratégias narrativas que contribuem para revelar essa violência. O trabalho parte da interpretação de que Por qué volvías cada verano se configura como uma autoficção que expressa diversas formas da violência de gênero, convidando o/a leitor/a a refletir sobre essa questão tão presente em nossas sociedades.
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