A PRISÃO EM NOME DA SAÚDE: O ISOLAMENTO COMPULSÓRIO EM LEPROSÁRIOS NO BRASIL DE VARGAS
Resumo
A partir da década de 1930, no Brasil, o isolamento compulsório de portadores de hanseníase passou a ser política de Estado. O isolamento compulsório só seria necessário, naquele momento, em casos extremos de infecção. Sua prática generalizada o caracterizou como uma forma de encarceramento. O período em que se inicia o isolamento estatal é marcado por fortes questões totalitárias, sendo o nazifascismo o seu auge. Essas idéias, baseadas na decadente filosofia irracionalista, não deixaram de influenciar o pensamento intelectual brasileiro, que ajudou a legitimar uma série de ações de governo, como o isolamento compulsório e indiscriminado. Porém, o período em questão também significou, para o Brasil, a formação do Estado capitalista monopolista, por intermédio do qual não só se controlava a classe trabalhadora pela força (opressão), mas se garantia a força de trabalho para a nova dinâmica de extração de mais-valia (exploração). Com Vargas, a Saúde Pública se tornou um mecanismo real de controle da classe trabalhadora na formação do monopolismo no Brasil.