GEOPOESIA EM MILTON HATOUM: DIÁSPORAS DO AFETO E RELATOS DA VIOLÊNCIA EM UMA CERTA AMAZÔNIA
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14095Palavras-chave:
Milton Hatoum, Geopoesia, Relato de um Certo Oriente, Dois Irmãos, Diásporas afetivasResumo
Este trabalho percorre passagens da prosa de Milton Hatoum, especificamente em seus romances Relato de um certo Oriente (1989) e Dois irmãos (2000), com pontos de diálogo com os contos-ideia de A cidade Ilhada (2009). É nesse esforço que propomos discussão em torno do narrador (conforme compreendido por Walter Benjamin em texto homônimo; 1936; 1994) em seus deslocamentos por uma Manaus hatouniana. Ao estudar alguns personagens, os trânsitos se dão pelos corpos, pela palavra, pelos enfronteiramentos e nas relações diaspóricas afetivas. Deste modo, a geopoesia revela que as raizamas de Manaus – tópicas e tropos liminares – consistem em diásporas do afeto e relatos da violência que equipam os narradores da geopoesia hatouniana de travessias, oralidades, histórias e sentimentos do mundo. Nossa escrita tem como ponto de partida o campo crítico da geopoesia como “escrita da terra”. Nessa perspectiva, as diásporas do afeto e os relatos da violência apresentam uma criação artística plena de valores éticos e estéticos em trânsitos, buscando sempre uma certa Amazônia – a Amazônia de Milton Hatoum.