NAEL E DOMINGAS: O TRAUMA E A ORIGEM EM DOIS IRMÃOS, DE MILTON HATOUM
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14097Palavras-chave:
Dois Irmãos, Milton Hatoum, Violência, TraumaResumo
Dois irmãos (2000), de Milton Hatoum, conta a trajetória de uma família de ascendência libanesa, em Manaus. O narrador organiza o relato a partir das vidas dos gêmeos Omar e Yaqub. Para além deles, destacam-se Nael e sua mãe, a doméstica Domingas. No contexto familiar, apesar de ter sido criado como um de seus membros, Nael carrega a mácula envolvendo o trauma de sua origem: Domingas foi estuprada por um dos gêmeos na juventude. Dividido em doze seções, o livro contém a narração do episódio em seu momento final, contudo, no 4° capítulo, encontramos o desenrolar traumático da situação. Nael conhecia seu lar, mas nada sabia das
origens da mãe. Aqui, na esteira da infância interrompida, refletiremos sobre como violências comuns ao ambiente familiar brasileiro geram traumas. Objetivamente, a análise será operacionalizada a partir do desvelo das imbricações textuais associadas à crítica narratológica para, em seguida, inquirirmos sobre os desdobramentos socioculturais ligados ao enredo. No seio da vida privada, representada no romance, questões étnico-raciais manifestam-se na aparente “cordialidade” (Holanda, 2014) de relações intrafamiliares marcadas por um contexto de discriminação, violência de gênero e tentativas de apagamento.