TENSÕES FAMILIARES E DISPUTAS DE PODER: ARQUEOGENEALOGIA E A ANÁLISE DE DOIS IRMÃOS
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14098Palavras-chave:
Poder, Silenciamentos discursivos, Arqueogenealogia, FoucaultResumo
O romance Dois Irmãos (2006), de Milton Hatoum, oferece uma reflexão sobre as complexas dinâmicas familiares e sociais que permeiam a vida dos irmãos gêmeos, Omar e Yaqub, e de Zana, mãe dos meninos. Ambientado em Manaus, a obra explora os conflitos e as tensões dentro do espaço familiar, refletindo a maneira como as relações de poder e afeto influenciam a formação das subjetividades dos personagens. Com isso, o objetivo deste artigo é problematizar as relações de poder que emergem nos discursos dos personagens do romance Dois Irmãos (2006), de Milton Hatoum, com foco na relação entre Zana e seus filhos gêmeos, Omar e Yaqub. Metodologicamente, o artigo está alinhado à vertente franco-brasileira, mais especificamente, baseado nas obras de Foucault, com a ferramenta teórico-metodológica arqueogenealógica, Como resultado, foi possível compreender que as relações de poder no núcleo familiar influenciam as identidades dos filhos, com destaque para o favorecimento de Omar e o silenciamento de Yaqub. A pesquisa revelou que as escolhas de Zana, embora fundamentadas em afetos familiares, refletem e perpetuam normas e valores que determinam quem é reconhecido, valorizado e silenciado dentro da estrutura familiar, funcionando como um dispositivo de poder que impacta profundamente as subjetividades dos personagens.