ENTRE LINHAS RASURADAS: REVIRANDO A HISTÓRIA COLETIVA EM A NOITE DA ESPERA E PONTOS DE FUGA, DE MILTON HATOUM
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14102Palavras-chave:
Ditadura, Memória, Resistência, A Hora da Espera, Pontos de FugaResumo
O estudo tem a intenção de refletir e aprofundar a discussão que circunda o debate sobre a relação entre literatura e ditadura, a partir da repressão e violências instauradas pela Ditadura Militar representadas por Milton Hatoum nos romances A noite da espera (2017) e Pontos de fuga (2019). Há nelas a relação entre o passado e o presente, pelo compartilhamento da experiência individual e a coletiva que, segundo os objetivos da pesquisa, não podem ser desmembradas, pelo viés das relações entre literatura e política, que tangencia
as acepções de memória e identidade, apresentadas por estudiosos como Jameson (1982), Burke (1992), Peterson (1995), Candau (2019), Le Goff (2003) e Said (2003). A narrativa robusta das obras se aproxima do nosso cotidiano, causam certo estranhamento pela linguagem simbólica que apontam situações históricas do regime militar, atravessadas pelo silenciamento e censura às pessoas, mas, pela literatura, essas pessoas ganham voz. Tem-se a preocupação em não tratar o assunto como manifestação ideológica, mas ter, no
trabalho Hatoum, como um processo de ressignificação do passado, tendo em vista que as classes dominantes furtam e se apropriam de discursos para utilizá-los em seu favor e relegam, à margem, as classes menos abastadas da sociedade.