45 DIAS NA SOLITÁRIA POR SER HOMOSSEXUAL: HOMOFOBIA E ESTADO DE EXCEÇÃO NA PRISÃO POLÍTICA DE AGUINALDO SILVA
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14103Palavras-chave:
Literatura marginal, Ditadura militar brasileira (1964-88), Masculinidades, história e memória LGBTResumo
Analisamos o capítulo “Pausa para a história com H”, presente no romance Lábios que beijei (1992), de Aguinaldo Silva, focalizando as imagens projetadas pela escrita literária do autor ao relatar sua prisão (entendida como sequestro político) durante a ditadura militar, em 1969. Nesse episódio, Silva permaneceu desaparecido por 70 dias, detido na Base dos Fuzileiros Navais de Ilha das Flores (BFNIF), em São Gonçalo-RJ. Partimos da premissa de que o cânone literário, em suas escolhas, é politicamente orientado e, portanto, excludente em relação a obras que abordem a temática homoerótica (Fernandes; Schneider, 2017). Propomos, assim, viabilizar o resgate estético, histórico e político tanto do texto quanto da figura do autor. No contexto da obra analisada, ressaltamos o papel de Aguinaldo Silva como jornalista e escritor engajado, que denunciou a perseguição às pessoas LGBT durante o regime militar (Quinalha, 2017). Na escrita transgressora de Silva, identificamos a presença de uma política queer (Louro, 2018), que constrói representações
autoafirmativas do homem gay afeminado e desafia a imagem da “bicha” frágil imposta pela masculinidade normativa. A análise aqui desenvolvida contribui para a ampliação dos quadros de referência sobre as pluralidades das subjetividades masculinas na literatura brasileira.