ESTADO E POLÍTICAS DE LINGUA: AS PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA COMO PRODUÇÃO DE SENTIDOS

Autores

  • Ana Maria Di Renzo Orientadora e Profa.Dra. do Departamento de Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT (Campus de Cáceres)
  • Francielli Carolina Durigon Orientanda e aluna do Programa de Mestrado em Linguística e Pesquisadora do CEPEL-Centro de Estudos e Pesquisas em Linguagem

Resumo

Este artigo é resultante da nossa participação no projeto de Cooperação Internacional sob o título “História das Ideias Linguísticas” e que no Brasil se ocupa Ética e Política das Línguas, cujo objetivo é (re)construir a história da constituição do saber metalinguístico sobre a língua portuguesa, a partir de uma posição histórica sobre a produção do conhecimento, logo dos seus processos de produção. Dessa forma, pode-se não somente ter acesso à forma como o saber sobre a língua no Brasil se constituiu, mas também como esse mesmo saber constituiu o homem “sujeito nacional”, o cidadão brasileiro. Portanto, a história de que falamos, isto é, fazer história das ideias linguísticas é tratar a própria produção do conhecimento sob a perspectiva de uma política do conhecimento sobre linguagem, o que nos convoca tratar, também, da ética, que, segundo Orlandi (1999), toca “o modo como funcionam os princípios que fundamentam a vida social”. Assim sendo, estudamos a formação do Estado brasileiro, conjugada com a instituição da Língua Nacional e o surgimento da Escola. Isto nos permitiu, portanto, através da (re)leitura discursiva de arquivos, dar visibilidade ao saber produzido sobre a língua e a constituição do sujeito nacional, a partir das condições próprias da nossa história. E, tocados por essa questão, escolhemos o Colégio Liceu Cuiabano de Mato Grosso num período que compreende o final do século XIX e início do século XX, precisamente, na primeira República. Período em que passando de Colônia a Estado independente era preciso gramatizar e/para ensinar a língua nacional. Resulta dessa reflexão nosso interesse pela criação dos grandes Colégios do país e pela formação do cidadão brasileiro que vamos ter como produto da relação Estado/Língua/Sujeito. A construção de instrumentos lingüísticos, pela sua divulgação e pela produção que vai elaborando, institui uma política de língua que, por conseguinte, vai dando forma e identidadea um cidadão. Nosso interesse está no que ele representou na construção do saber sobre a língua no Brasil e na constituição do cidadão Mato-grossense Brasileiro. Em outras palavras, a construção tanto da língua quanto do saber sobre ela está intimamente relacionada com a formação do Estado, processos que nos mostram os modos de sua constituição, logo, da sua história. Ao propormos tal estudo, objetivamos explicitar essa história, aliando a construção do saber sobre a língua, o nascimento da Escola e a constituição do sujeito nacional.

Referências

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como língua nacional: uma história em Mato Grosso, 2006. Tese (Doutorado em

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Publicado

11/08/2015

Como Citar

Renzo, A. M. D., & Durigon, F. C. (2015). ESTADO E POLÍTICAS DE LINGUA: AS PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA COMO PRODUÇÃO DE SENTIDOS. Revista ECOS, 10(1). Recuperado de https://periodicos.unemat.br/index.php/ecos/article/view/769

Edição

Seção

LINGUÍSTICA/ LÍNGUA PORTUGUESA