Perfil epidemiológico e espacial dos acidentes por arraias (Ordem Myliobatiformes) no Brasil (2007-2024)/ Epidemiological profile and spatial of stingrays (Order Myliobatiformes) injuries in Brazil (2007-2024)/ Perfil epidemiológico y espacial de los accidentes con rayas (Orden Myliobatiformes) en Brasil (2007-2024)
DOI:
https://doi.org/10.30681/2526101014280Palavras-chave:
Animais Peçonhentos, Rajidae, Epidemiologia, Saúde Pública, BrasilResumo
Objetivo: analisar o perfil epidemiológico e a distribuição espacial dos acidentes por arraias (ordem Myliobatiformes) em humanos no Brasil (2007-2024). Método: estudo observacional, descritivo, transversal e quantitativo, baseado em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) (2007-2024). Analisaram-se variáveis sociodemográficas, clínicas, epidemiológicas e temporais, calculando-se coeficientes de incidência e frequência de óbito. Resultados: registraram-se 16.098 casos (0,45% dos acidentes por animais peçonhentos identificáveis), concentrados na região Norte (90,22%), especialmente Tocantins, Pará e Amazonas, e coeficiente de incidência nacional de 7,93/100 mil habitantes. Vítimas predominantemente homens (78,95%), pardos (72,63%) e adultos (19-59 anos, 68,64%), com pés como região mais afetada (84,06%). Observou-se aumento contínuo nos acidentes, com picos em julho e redução em abril. Conclusão: os acidentes por arraias constituem um relevante problema de saúde pública no Brasil, especialmente na Amazônia Legal. Apesar da baixa frequência de óbitos (0,07%), geralmente decorrentes de complicações secundárias e não da ação direta da peçonha, as lesões graves e o risco para grupos específicos, como idosos, crianças e gestantes, reforçam a necessidade de estratégias preventivas, manejo adequado e ações voltadas a atividades aquáticas.
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