METODOLOGIA PBL: MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVAS DE ESTUDANTES DE MEDICINA

Autores

  • Adozina Marques de Souza Neta
  • Danilo Bastos Bispo Ferreira
  • Deborah Pimentel
  • Nancy Miyo Mitsumor
  • Íkaro Daniel de Carvalho Barreto
  • Leda Maria Delmondes Freitas Trindade UNIVERSIDADE TIRADENTES https://orcid.org/0000-0003-4300-4274

Resumo

Escolher o curso médico mobiliza no indivíduo diversos fatores motivacionais, além de buscar o atendimento às suas expectativas ao longo da graduação. Objetivos: identificar as motivações de alunos para a escolha do curso e os fatores motivacionais para sua permanência na graduação, analisar as expectativas e avaliar o grau de satisfação em relação às etapas cursadas. Método: estudo prospectivo realizado de 2013 a 2018, com 219 estudantes que estavam matriculados em 2013, no curso médico de uma universidade brasileira. Utilizaram-se questionários semiestruturados. Aplicada análise bivariada e frequência; Teste Qui-Quadrado de Pearson e análise de conteúdo categorial. Nível de significância 0,05. Resultados: entre os respondentes 62,8% eram mulheres e 37,2%, homens. Obtiveram-se 1.093 respostas sobre motivação e 1.092 sobre expectativas. Sentiam-se motivados 93,5% respondentes e 76,5% afirmaram ter as expectativas atingidas. Fatores motivacionais intrínsecos e extrínsecos foram reforçados durante a formação médica. Autorrealização, transcendência, afinidade, valores cognitivos e segurança foram motivações reafirmadas durante a trajetória acadêmica. Motivações intrínsecas, tais como realização e conhecimento, foram mais prevalentes na quinta,

 

sétima, décima primeira e décima segunda etapas, enquanto segurança foi o fator extrínseco mais prevalente entre os grupos. As expectativas foram relacionadas quanto à organização do
curso, às condições pessoais do aluno e ao modelo pedagógico de ensino e aprendizagem. Insegurança e dúvidas, quanto ao conhecimento médico, foram citadas nas primeiras etapas do curso. Quanto às etapas/períodos anteriores, os alunos avaliaram como: excelente 15,4%, bom 68,3%, regular 15,7% e 0,6% ruim.  Conclusões: na escolha do curso médico, motivações intrínsecas e extrínsecas não se revelaram diferentes por se tratar de uma metodologia de ensino não tradicional, embora pontos críticos fossem apontados ao longo da graduação. Os alunos se mantiveram motivados à medida que suas expectativas eram atendidas e as experiências práticas possibilitaram maior confiança e credibilidade na metodologia.

Biografia do Autor

Leda Maria Delmondes Freitas Trindade, UNIVERSIDADE TIRADENTES

Médica Gastroenterologista, Professora da Faculdade de Medicina da Universidade Tiradentes

Referências

Pelaccia T, Viau, R. Motivation in medical education. Med Teach. 2017;39(2):136-140. DOI: 10.1080/0142159X.2016.1248924

Almeida MJ. A educação médica e as atuais propostas de mudança: alguns antecedentes históricos. Rev Bras Educ Méd. 2001; 25(2): 42-52.

Bell J. Introducing problem-based learning as a learning strategy for Masters Students. Practitioner Research in Higher Education. 2012; 6 (1): 3-11.

Pontes AL, Rego S, Silva Junior AG. Saber e prática docente na transformação do ensino médico. Rev. Bras. Educ. Med. 2006; 30(2): 66-75.

Leal EA, Miranda GJ, Carmo CRS. Teoria da Autodeterminação: uma Análise da Motivação dos Estudantes do Curso de Ciências Contábeis. R. Cont. Fin. – USP, São Paulo. [Internet] [citado em 2018 jan 30] 2013;24(62): 162-173. DOI: https://doi.org/10.1590/S1519-70772013000200007

Banov MR. Psicologia no gerenciamento de pessoas. 4ª ed. São Paulo: Atlas; 2015. p.76.

Trindade LMD, Vieira MJ. O Curso de Medicina: Motivações e expectativas de estudantes iniciantes. Rev. Bras. Educ. Med. 2009; 33(4):542-554.

Ory JC, Poggio JP. The empirical development of measure of achievement motivation. 1976; 13(2): 157-159.

Demiro M, Turan S, O’ztuna D. Medical students’ self-efficacy in problem-based learning and its relationship with self-regulated learning. Med Educ Online. 2016; 21: 30049.

Hargreaves K. Reflection in Medical Education. Journal of University Teaching & Learning Practice. 2016; 13(2): 1-21.

Almeida MJ, Campos JJB, Turini B, Nicoletto SCS, Pereira LA, Rezende LR, Mell PL. Implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais na graduação em Medicina no Paraná. Rev. Bras. Educ. Med. 2007; 31(2).

Diretrizes Curriculares Nacionais Medicina de 2014. Resolução CNE/CES 3/2014. Diário Oficial da União, Brasília, 23 de junho de 2014; Seção 1, pp.8-11. [acesso em 207 jul]. Disponível em: https://faceres.com.br/cursos/%20medicina/%20diretrizes-curriculares-nacionais-medicina-de-2014.

Alegranci P, Segato GF, Precedello AS. Metodologia ativa na graduação médica; a visão dos discentes segundo a literatura. Rev. Fac. Educ. 2017[I; 28(20): 99-112. DOI:10.30681/21787476.2017.28.99112.

Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2006.

Minayo MCS, Deslandes SF, Gomes R. Pesquisa Social: Teoria, método e criatividade/ Social. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2001: 95.

Ribeiro MMF, Leal SS, Diamantino FC, Bianchi HA. A opção pela medicina e os planos em relação ao futuro profissional de estudantes de uma faculdade pública brasileira. Rev. Bras. Educ. M. 2011; 35 (3): 405-411.

Sobral DT. Motivação do aprendiz de medicina: uso da escala de motivação acadêmica. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 2003;19(1):25-31. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-37722003000100005.

Sobral DT. Autodeterminação da motivação em alunos de Medicina: relações com motivos de escolha da opção e intenção de adesão ao curso. Rev. bras. educ. med. 2008;32(1):56-65. DOI https://doi.org/10.1590/S0100-55022008000100008.

Corrêa RD; Gonçalves RCB; Oliveira LS; Machado Silva VCM; Ribeiro MMF. Medicina como Nova Graduação: Motivações, Dificuldades e Expectativas Rev. bras. educ. med. 2016;40 (1): 226 – 233.

Pilatti LA. Qualidade de vida no trabalho e teoria dos dois fatores de Herzberg: possibilidades-limite das organizações. Revista Brasileira de Qualidade de vida. 2012;04(1):18-24. DOI: http://dx.doi.org/10.3895/S2175-08582012000100003.

Tadin AP, Rodrigues JAE, Dalsoquio P, Guabiraba ZR, Mirande ITP. O conceito de motivação na Teoria das relações humanas. Maringa Management: Revista de Ciências Empresariais. 2005; 2(1):40-47.

Herzberg FI. One more time: how do you motivate employees? Harvard Business Review, Boston. 1968;46 (1): 53-62.

Vergara S. C. (2009). Gestão de pessoas, 8. ed. São Paulo: Atlas.

Yew EHI; Goh K. Probem-Basead Learning: on overview of its Process and impacto n learning. Health Professions Edication. 2016; 2:75-79. DOI: https://doi.org/10.1016/j.hpe.2016.01.004.

Dolmans DHJM, De Grave W, Wolfhagen IHAP, van der Vleuten CPM. Problem-based learning: future challenges for educational practice and research. Medical Education, Oxford. 2005;39(7):732-741.

Borochovicius E, Tortella JCB. Aprendizagem Baseada em Problemas: um método de ensino-aprendizagem e suas práticas educativas. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro. 2014;22(83): 263-294.

Groves M. Problem-based learning and learning approach: Is there a relationship? Advances in Health Sciences Education.2005; 10: 315-326.

Downloads

Publicado

26/08/2021

Como Citar

Marques de Souza Neta, A., Bastos Bispo Ferreira, D., Pimentel, D., Miyo Mitsumor, N., Daniel de Carvalho Barreto, Íkaro, & Trindade, L. M. D. F. (2021). METODOLOGIA PBL: MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVAS DE ESTUDANTES DE MEDICINA. Revista Ciência E Estudos Acadêmicos De Medicina, 1(14). Recuperado de https://periodicos.unemat.br/index.php/revistamedicina/article/view/4975

Edição

Seção

Artigos