LOBO ANTUNES E A MEMÓRIA DO DESCONFORTO

Autores

  • Rodrigo Ordine

Resumo

A partir da análise do narrador do romance A morte de Carlos Gardel (1994), do escritor português António Lobo Antunes,este artigo pretende problematizar um conceito de memória que se apoia numa ideia de pacificação (uma vez que concede um senso de cronologia, linearidade e coesão a umahistória de vida), deslocando-o para uma compreensão mais próxima das ideias de instabilidade, de falta de lógica e/ou de segurança. Assim, a hipótese que apresento, amparada na análise do romance e com embasamento teórico da Teoria da Literatura, dos Estudos de Memória e da Sociologia do Conhecimento, intenciona demonstrar que a memória, muito mais do que restaurar um elo perdido numa cadeia de eventos de uma vida, acaba por se configurar como recurso responsável por demarcar um desconforto contínuo, já que, pela percepção muito bem administrada dos narradores de Lobo Antunes, a memória dodesconforto não só não soluciona os problemas do passado, mas os faz presentes constantemente, lembrando-nos de que o esquecimento é quase impossível para o homem pós-moderno. 

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Como Citar

Ordine, R. (2018). LOBO ANTUNES E A MEMÓRIA DO DESCONFORTO. Revista Alere, 16(2), 155–170. Recuperado de https://periodicos.unemat.br/index.php/alere/article/view/2982

Edição

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ARTIGOS