ESCRAVA DE CORPO E ALMA: O CASO DE DOMINGAS, NO ROMANCE DOIS IRMÃOS, DE MILTON HATOUM
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14096Palavras-chave:
Corpo, Trabalho, Escravidão, Identidade, Fantasma/fantasmagoriaResumo
Nos estudos da colonialidade, a experiência colonial é tida como um processo selvagem e brutal que serve para justificar a dominação e o apagamento do outro, bem como a perda de identidade, os seus deslocamentos e a degradação de suas vidas. É nesta perspectiva da colonialidade e da perda da sua identidade que é dado um dos motes para se entender a empregada Domingas, do livro Dois Irmãos, de Milton Hatoum (2000). Na representação dessa personagem, percebe-se o enfrentamento da questão da perda da identidade indígena e/ou deslocamento, da escravização do trabalho e do corpo da empregada da família libanesa. Os norteamentos teóricos serão pensados a partir dos conceitos de fantasma/fantasmagoria, desenvolvidos em Crítica da razão negra, de Achille Mbembe (2014); da escravização oriunda do trabalho da mulher, em Mulher, raça e classe, de Angela Davis (2016), e do discurso da colonialidade que deixou rastros difíceis de apagar, na proposta de Aníbal Quijano (2005), em Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Percebemos, por fim, que Domingas e Nael sofreram um processo de identidades rasuradas, cujas matrizes estão no modelo de subjugação a que foram submetidos.