MAIS UM ARTISTA NO DESTERRO: ERRÂNCIA E IDENTIDADE EM CINZAS DO NORTE, DE MILTON HATOUM
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14100Palavras-chave:
Deslocamento, Estraneidade, Identidade, Romance brasileiro contemporâneoResumo
Este artigo pretende analisar o romance Cinzas do Norte, de Milton Hatoum (2005), pela perspectiva do conceito de “estraneidade”, de Nestor Garcia Canclini (2016), aliando à discussão outro conceito, o de “pulsão de errância”, de Michel Maffesoli (2021), para então analisar o protagonista Mundo e sua estratégia de desviar-se da norma e da repressão advinda da figura paterna. Desse modo, torna-se possível pensar a ambivalência dos deslocamentos como ferramenta que possibilita ao sujeito refletir sobre os vínculos e construir lugares para si. Evidencia-se, assim, identidades fragmentadas postas em narração desvelando a perda de referências fixas e a fratura gerada pelo trânsito e por essa imersão em um espaço outro. A estratégia do romance em questão é a articulação entre os deslocamentos espaciais e a construção identitária ancorada em um passado que serve como alavanca para a construção do futuro.