O FADISMO ENCANTADO DE DINAURA EM ÓRFÃOS DO ELDORADO, DE MILTON HATOUM
DOI:
https://doi.org/10.30681/alere.v30i2.14101Palavras-chave:
Devir, Metamorfose, Dinaura, Encantados, AmazôniaResumo
Este artigo versa sobre Dinaura, personagem da obra Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum e o processo de devir-mulher, em sua metamorfose, como figura encantada que, por sua vez, transita entre os humanos e os seres que vivem no fundo das águas. Para tanto, abordamos a noção de devir e metamorfose nos encantados da Amazônia, considerando os argumentos de Viveiro de Castro, Gilles Deleuze, Claude Lévi-Strauss e Raymundo Heraldo Maués, buscando analisar as marcas do encante amazônico associadas a uma perspectiva inferiorizante da mulher, expressa como encantada na obra em questão, relacionando-a na narrativa, à figura de feiticeira. A fim de fundamentar essa associação, buscamos apoio nos argumentos de Jules Michelet, Silvia Frederic, Nubia Hanciau, dentre outros. Os resultados indicam que o discurso sobre Dinaura na narrativa, seja por Arminto ou outros personagens que se referem a ela, apresentam marcas de uma perspectiva patriarcal e colonizadora da mulher ao associar a personagem às figuras relacionadas à malineza e aos seres de fundo, construindo um imaginário associado às práticas de feitiçaria e à malevosidade dos seres de fundo.