Variação linguística e Prova Brasil: quando o prescrito não dialoga com a reflexão teórica

Autores

  • Carmen Teresinha Baumgärtner Universidade Estadual do Oeste do Paraná
  • Leandro Wallace Menegolo Universidade Estadual do Oeste do Paraná, UNIOESTE, Cascavel - PR.

DOI:

https://doi.org/10.30681/2594.9063.2020v4n2id4673

Resumo

Este artigo é o resultado de uma pesquisa que analisa o material de orientação didática da avaliação em larga escala intitulada “Prova Brasil”. Mais especificamente, detivemo-nos numa das habilidades cognitivas mensuradas por esse exame nacional, a que trata da variação linguística. O objetivo é o de avaliar se e como as prescrições desse instrumental incorporam as contribuições teóricas da sociolinguística. A metodologia adotada, levando em conta o aspecto da natureza dos dados, foi a do Paradigma Qualitativo, e, considerando o aspecto da maneira de coleta de dados, a tipologia de pesquisa é a documental. Os resultados encontrados na análise dos dados foram o uso intercambiável dos termos “variação”, “mudança” e “norma” e a (im)precisão do que deveria ser a pedagogia da variação linguística, que considere as variadas maneiras de uso da língua, adequadas às diferentes situações de interação e combatendo o preconceito linguístico: recomenda-se o tratamento da variação em sala de aula, mas de forma inadequada diante da língua-padrão. Em suma, ao divulgar essa compreensão dos aspectos da língua, os elaboradores do material demonstram manter um entendimento de língua com funcionamento homogêneo, uma visão já superada pelas contribuições sociolinguísticas. Ademais, ao reproduzidos pelos professores em cada sala de aula, favorece a manutenção do status quo, da geração e da circulação de preconceitos acerca da língua.

Biografia do Autor

Carmen Teresinha Baumgärtner, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina – UEL, docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE nos Cursos de Graduação em Letras Licenciatura (presencial) e em Letras Libras Licenciatura (Educação mediada por tecnologias), e nos Programas de Pós-Graduação em Letras – Mestrado/Doutorado Acadêmico – PPGL, e Programa de Pós-Graduação em Letras – Mestrado Profissional – PROFLETRAS na UNIOESTE, Cascavel, Paraná, Brasil.

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Publicado

14/05/2021

Como Citar

Baumgärtner, C. T., & Menegolo, L. W. (2021). Variação linguística e Prova Brasil: quando o prescrito não dialoga com a reflexão teórica. Traços De Linguagem - Revista De Estudos Linguísticos, 4(2). https://doi.org/10.30681/2594.9063.2020v4n2id4673