NARRATIVAS ORAIS DOS ANCIÃOS GUARANI/KAIOWÀ: UMA PERCEPÇÃO SEMIÓTICA
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14805Keywords:
Oralidade, Semiótica da Cultura, Narrativas Guarani/KaiowáAbstract
O presente artigo analisa as narrativas da Ñandesy Dona Floriza e do Ñanderu Seu Jorge, pertencentes à etnia Guarani/Kaiowá, moradores da Aldeia Jaguapiru na Reserva Indígena de Dourados no Mato Grosso do Sul (RID). O corpus é composto por narrativas registradas por Seawright e Maceno (2023), selecionadas por sua relevância simbólica e cultural e pela profundidade com que expressam saberes, crenças e memórias coletivas da comunidade. O estudo tem como objetivo compreender os processos de significação presentes nessas narrativas, considerando sua importância para a constituição e preservação da identidade cultural Guarani/Kaiowá. Fundamentada na Semiótica Aplicada de Santaella (2004) e na Semiótica da Cultura de Iuri Lótman (1996; 1998), em diálogo com as contribuições de Irene Machado (2003; 2007), Paul Zumthor (2010), Leda Maria Martins (2021) e Gicelma Chacarosqui (2022), a análise compreende as narrativas como sistemas complexos de significação, nos quais símbolos, mitos e valores são continuamente atualizados por meio da oralidade. Ao serem registradas e transcritas, essas narrativas atravessam as fronteiras entre oralidade e escrita, constituindo manifestações de oralitura, compreendida por Leda Maria Martins (2021) como um modo de inscrição da memória em que voz, corpo e gesto se constituem escritura e produção de conhecimento. Desta forma, o artigo contribui para a compreensão das narrativas orais como instrumentos de resistência cultural e preservação do patrimônio imaterial dos povos indígenas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico, fundamentada nos estudos da Semiótica Aplicada, da Semiótica da Cultura e da oralitura, buscando identificar, analisar e interpretar os processos de significação presentes nas narrativas dos anciãos Guarani/Kaiowá. Os resultados evidenciam que essas narrativas desempenham papel fundamental na preservação da memória coletiva, no fortalecimento da identidade cultural e na resistência às pressões externas que ameaçam a continuidade das tradições, contribuindo para a valorização do patrimônio cultural imaterial dos povos indígenas.
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