DA ESCRITA PARTILHADA À VOZ AUTORAL: LITERATURA INDÍGENA FEMININA, REEXISTÊNCIA E REVITALIZAÇÃO IDENTITÁRIA

Autores

  • Karla Cunha Pádua Universidade do Estado de Minas Gerais
  • Juliete Antônia Figueiredo da Mata Universidade do Estado de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14929

Palavras-chave:

Literatura indígena, mulheres, criação coletiva, Mulherio das Letras Indígenas.

Resumo

Este artigo analisa a constituição da literatura indígena feminina brasileira contemporânea, investigando o deslocamento histórico do registro etnográfico e das experiências pioneiras de criação coletiva, como os “livros da floresta”, até a consolidação de práticas autorais soberanas no campo literário. Baseado em uma pesquisa de mestrado que investigou o coletivo Mulherio das Letras Indígenas como espaço estratégico de reexistência e produção de novos sentidos literários, destacamos o protagonismo das mulheres na construção de uma voz-praxis literária que articula escrita e corpo como extensões diretas do território sagrado. O texto discute essa produção literária indígena feminina como uma prática estética, política e espiritual, na qual palavra, território e memória ancestral são dimensões indissociáveis de uma mesma existência, Nesse cenário, a análise de poéticas como as de Bea Guarani e Benilda Kadiwéu evidencia como a autoria feminina transita da representação externa para a autorreferencialidade, denunciando as violências coloniais, patriarcais e o racismo estrutural, ao mesmo tempo, em que reafirma identidades coletivas e saberes tradicionais. Argumenta-se que tais produções não apenas tensionam o cânone ocidental e as hierarquias acadêmicas, mas instituem um arcabouço teórico fundamentado em epistemologias próprias, em que o ato de narrar funciona como ferramenta de retomada política, justiça e cura. Ao transformar a memória em potência estética e ética, a literatura indígena feminina redefine os parâmetros de autoria no Brasil, consolidando-se como um arquivo vivo de resistência e continuidade histórica.

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Biografia do Autor

  • Karla Cunha Pádua, Universidade do Estado de Minas Gerais

    Professora na Faculdade de Educação (FaE) e no Programa de Pós-graduação em Educação e Formação Humana (PPGE) da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado sandwich e pós-doutorado em Antropologia na Universidade de Lisboa (ULisboa). Sócia colaboradora da Associação Brasileira de Antropologia (APA). Tem como interesses de pesquisa os estudos sobre identidades étnico-culturais, educação indígena, interculturalidade, narrativas docentes, formação de professores para a diversidade cultural, cultura e memória, ambiente e cultura, em uma perspectiva socioantropológica.

  • Juliete Antônia Figueiredo da Mata, Universidade do Estado de Minas Gerais

    Professora na Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) e na Secretaria Municipal da Educação de Betim (SEMED/Betim). Mestra em Educação e Formação Humana pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Tem como principais interesses de pesquisa a literatura indígena contemporânea, com foco em autorias femininas; as interseções entre cultura, gênero e educação; temas
    relacionados à diversidade cultural e educação indígena.

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Publicado

20/09/2026

Edição

Seção

Dossiê "Vozes identitárias da literatura indígena brasileira contemporânea: do registro etnográfico à criação literária"

Como Citar

Cunha Pádua, K. ., & Mata, J. A. F. da . (2026). DA ESCRITA PARTILHADA À VOZ AUTORAL: LITERATURA INDÍGENA FEMININA, REEXISTÊNCIA E REVITALIZAÇÃO IDENTITÁRIA. Revista De Letras Norte@mentos, 19(57), 2221-236. https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14929