A LITERATURA INDÍGENA COMO FERRAMENTA DE PRESERVAÇÃO CULTURAL EM DUAS NARRATIVAS DE RONI WASIRY GUARÁ
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14959Palabras clave:
Mitos indígenas, Oralidade, Memória ancestralResumen
O artigo analisa a literatura indígena contemporânea como ferramenta de preservação cultural, memória ancestral e afirmação identitária, tomando como corpus as narrativas Çaiçú-Indé: o primeiro grande amor do mundo (2001) e Mondagarà: a traição dos encantados (2011), ambas de autoria do escritor indígena Roni Wasiry Guará, pertencente ao povo Maraguá. Parte-se do entendimento de que a literatura indígena ultrapassa a dimensão estética, configurando-se como prática política e epistemológica que enfrenta o silenciamento histórico imposto aos povos originários e reafirma suas cosmovisões, saberes tradicionais e modos próprios de compreender o mundo. Intelectuais indígenas como Daniel Munduruku (2018), Graça Graúna (2013), Márcia Wayna Kambeba (2018) oferecem suporte conceitual para a compreensão da oralidade como eixo estruturante da escrita indígena e do mito como elemento central da memória coletiva. As análises das narrativas mostram que, nas obras de Guará, a oralidade não é substituída pela escrita, mas ressignificada como tecnologia de resistência e continuidade cultural. Os mitos de origem, os saberes ancestrais e a espiritualidade maraguá expressam uma visão de mundo holística, na qual natureza, seres humanos e encantados constituem uma rede relacional indissociável. A literatura indígena desempenha, pois, um papel fundamental na preservação da cultura dos povos originários, no fortalecimento da identidade coletiva e na promoção do diálogo intercultural, afirmando-se como espaço de memória, resistência e permanência histórica.
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