“MINHA AVÓ FOI PEGA NO LAÇO”: MEMÓRIA, VIOLÊNCIA E RESISTÊNCIA FEMININA EM DE ALMAS E ÁGUAS KUNHÃS (2023) DE MÁRCIA KAMBEBA

Authors

  • Adriana Lins Precioso Universidade do Estado de Mato Grosso
  • Igor Marangon Universidade do Estado de Mato Grosso
  • Ana Lúcia Ponciano Ribeiro Universidade do Estado de Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14936

Keywords:

Literatura indígena, Memória ancestral, Violência colonial

Abstract

O presente artigo analisa o ensaio Minha avó foi pega no laço, da obra De almas e águas kunhãs (2023), de Márcia Wayna Kambeba, com o propósito de evidenciar como a autora revisita a memória ancestral para denunciar a violência colonial que marcou a formação do Brasil, sobretudo no que se refere ao corpo das mulheres indígenas. Com abordagem qualitativa e bibliográfica, o estudo articula o ensaio ao poema Índia, eu não sou, da mesma autora, e dialoga com reflexões de intelectuais indígenas contemporâneos, como Daniel Munduruku (2017) e Mirna Anaquiri (2018), os quais questionam a naturalização da expressão “pega no laço” como marcador identitário. A análise demonstra que Kambeba utiliza tanto a escrita ensaística quanto a poética como formas de contraescrita, desestabilizando narrativas hegemônicas que romantizaram a miscigenação e ocultaram o estupro colonial como elemento estruturante da nação. Ao recuperar histórias de suas ancestrais e reinterpretar a expressão popular a partir da memória corporal e territorial, a autora reposiciona a violência não como destino inevitável, mas como ponto de partida para a resistência, a preservação cultural e a afirmação identitária. Os resultados indicam que a literatura indígena de autoria feminina funciona como espaço de denúncia, cura e reexistência, com o objetivo de devolver dignidade às mulheres violentadas e reafirmar seu protagonismo histórico. Conclui-se que Kambeba transforma a barbárie colonial em força estética e política, contribuindo para uma narrativa decolonial que enfrenta o apagamento histórico e reinscreve as mulheres indígenas no centro da memória nacional.

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Author Biographies

  • Adriana Lins Precioso, Universidade do Estado de Mato Grosso

    Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP).  Professora Adjunta da UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus de Sinop. Coordenadora do grupo de Pesquisa: Estudos Comparativos de Literatura: tendências identitárias, diálogos regionais e vias discursivas. 

  • Igor Marangon, Universidade do Estado de Mato Grosso

    Doutorando em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLetras/UNEMAT) e graduado em Letras pela mesma instituição.  Atua como docente no Centro Universitário FASIPE (UNIFASIPE), em Sinop-MT.  

  • Ana Lúcia Ponciano Ribeiro, Universidade do Estado de Mato Grosso

    Mestra em Letras pelo Programa de Pós Graduação em Letras (PPGLetras). Graduada em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Sinop. 

References

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Published

2026-09-20

Issue

Section

Dossiê "Vozes identitárias da literatura indígena brasileira contemporânea: do registro etnográfico à criação literária"

How to Cite

Lins Precioso, A., Marangon, I., & Ponciano Ribeiro, A. L. (2026).  “MINHA AVÓ FOI PEGA NO LAÇO”: MEMÓRIA, VIOLÊNCIA E RESISTÊNCIA FEMININA EM DE ALMAS E ÁGUAS KUNHÃS (2023) DE MÁRCIA KAMBEBA. Revista De Letras Norte@mentos, 19(57), 150-167. https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14936