DA TERRA À IDENTIDADE: CORES E SABERES ANCESTRAIS NA NARRATIVA INDÍGENA DE CHIRLEY PANKARÁ
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14573Keywords:
Literatura indígena, Memória ancestral, Literatura infantilAbstract
Partindo do contexto em que a produção literária indígena no Brasil tem se intensificado a partir do Movimento Indígena que permeou as décadas de 1970 e 1980, impulsionado pela lei 11.645/2008, este artigo analisa alguns aspectos da obra Nãna e os potes de barro (2019) de Chirley Maria Pankará, destacando sua relevância como mecanismo de resistência e afirmação cultural. Os objetivos são: investigar a personagem avó como guardiã da memória e transmissora dos conhecimentos ancestrais; analisar os elementos verbais e não verbais e como eles incidem na construção dos sentidos da memória e da identidade Pankará. Essa pesquisa é de natureza bibliográfica, ancorada em discussões sobre oralidade na teoria de Munduruku (2012); no que tange à ancestralidade Martins (2021) e Santos (2025); para os assuntos relacionados à identidade Hall (2006), memória social Halbwachs (1990). Já as discussões sobre a literatura indígena, Dorrico (2017) e Lajolo & Zilberman (1999). O estudo conclui que a obra funciona como mecanismo de resistência e afirmação cultural, tendo a figura da avó como detentora do saber ancestral, responsável por transmitir o conhecimento não apenas pelo ato de contar histórias, mas também pela práxis da fabricação dos potes de barro. A análise da linguagem não verbal demonstrou, ainda, que as ilustrações são fundamentais na construção desses sentidos, especialmente através da cor marrom, que conecta visualmente a identidade (pele), a matéria-prima (barro) e os potes, que operam como objetos de memória viva. Logo, a obra é importante aliada na manutenção da memória e cultura indígena.
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