RESISTIR E REENCANTAR: A LITERATURA INFANTIL E JUVENIL DE TEMÁTICA INDÍGENA SOB UMA PERSPECTIVA INTERCULTURAL DIALÓGICA

Autores/as

  • Débora Cristina de Araujo Universidade Federal do Espírito Santo
  • Lucas Souza do Nascimento Universidade Federal do Espírito Santo
  • Isadora de Alvarenga Monteiro Universidade Federal do Espírito Santo

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14931

Palabras clave:

Literatura Infantil e Juvenil, Interculturalidade Dialógica, Literatura Indígena, Análise Crítica do Discurso

Resumen

O objetivo deste artigo é discutir, no contexto das políticas públicas de distribuição de livros no Brasil, o papel da literatura infantil e juvenil com temática indígena. Essa literatura pode agir como um recurso de preservação e valorização das culturas dos povos originários ou como um dispositivo de reprodução de estereótipos históricos que silenciam, exotizam ou homogeneizam as múltiplas existências desses grupos. Teórica e metodologicamente o texto transita entre Interculturalidade Dialógica a partir da literatura indígena (Cardoso, 2023), Dialogismo (Bakhtin, 2010; Volochínov, 2013) e Análise Crítica do Discurso (van Dijk, 2003). Analisa duas obras selecionadas pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), em seu último edital. Os livros foram escolhidos pelos seguintes critérios: um indigenista (livro de temática indígena escrito por uma pessoa não-indígena) e outro indígena (livro de temática indígena escrito por uma pessoa indígena). A análise possibilitou interpretarmos como ambas as obras representam personagens indígenas e tratam de temas relacionados aos povos originários: de um lado, a obra indigenista as associou a “lendas” do “folclore” brasileiro; já a obra indígena diferenciou o que seria mito e lenda, deslocando-as da noção ocidental de “folclore” e as apresentando como narrativas constituintes das bases religiosas, culturais e sociais dessas comunidades. Concluiu-se que essa obra compõe uma representatividade mais contextualizada, fruto de conhecimentos acumulados sobre a cultura escolhida que ela retrata. A investigação, realizada a partir de uma perspectiva discursiva e dialógica, permitiu tensionar naturalizações e evidenciar os mecanismos pelos quais certos sentidos são reiterados ou silenciados.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Biografía del autor/a

  • Débora Cristina de Araujo, Universidade Federal do Espírito Santo

    Doutora e Mestra em Educação pela Universidade Federal do Paraná. Graduada em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Estado do Paraná, Campus de Paranavaí. Professora de Educação das Relações Étnico-Raciais no Departamento de Teorias do Ensino e Práticas Educacionais do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo. É professora permanente do Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação (PPGPE) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), pela UFES.

  • Lucas Souza do Nascimento, Universidade Federal do Espírito Santo

    Graduado em Letras - Língua e Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas e mestrando em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo

  • Isadora de Alvarenga Monteiro, Universidade Federal do Espírito Santo

    Licenciada em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Referencias

ALMEIDA, Amanda Ribeiro de. Análise Crítica do Discurso nos editais do PNLD LITERÁRIO: sob a perspectiva da educação das relações étnico-raciais. Relatório final (PIBIC/CNPq). Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2021. Disponível em: https://literetura.wordpress.com/wp-content/uploads/2021/02/rel_final_16271_relatorio-final_amanda.pdf. Acesso em: 12 fev. 2026.

ARAUJO, Débora Cristina de; DIAS, Lucimar Rosa. Vozes de crianças pretas em pesquisas e na literatura: esperançar é o verbo. Educação & Realidade, [S. l.], v. 44, n. 2, 2019. Disponível em: <https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/88368> . Acesso em: 12 fev. 2026.

ARAUJO, Débora Cristina de. Literatura infanto-juvenil e política educacional: estratégias de racialização no Programa Nacional de Biblioteca da Escola (PNBE). Orientador: Prof. Dr. Paulo Vinicius Baptista da Silva. 2015. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2015. Disponível em: <https://literetura.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/04/tese-debora-cristina-de-araujo.pdf> . Acesso em: 12 fev. 2026.

BENTO, Maria Aparecida Silva. Branqueamento e branquitude no Brasil. In: CARONE, Iray; BENTO, Maria Aparecida Silva (Orgs.) Psicologia Social do Racismo: Estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 25-58.

BAKHTIN, M Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. Tradução de Michel Hahud e Yara Frateschi. 11. ed. São Paulo: Hucifec, 2004.

BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Edital de Convocação nº 01/2012 – CGPLI: edital de convocação para inscrição e seleção de obras de referência para o Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE Temático 2013. Brasília, DF: MEC, 2012. Disponível em: <https://www.fnde.gov.br/phocadownload/programas/biblioteca_da_escola/consultas/edital_pnbe_tematico_2013.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2026.

CARDOSO, Ytanajé Coelho. Contribuição para pensar a literatura indígena contemporânea em sala de aula. In: RODRIGUES, Adriana Cristina Aguiar [et al.] (Orgs.). Literatura indígena: práticas leitoras para a sala de aula. Rio Branco: Nepan Editora, 2023, p. 18-31. Livro digital.

CARVALHO, Lô. Curupira, brinca comigo?. Ilustrações de Susana Rodrigues. São Paulo: Bamboozinho, 2013.

DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO. Moleque. Disponível em: <https://www.dicionarioetimologico.com.br/moleque/> . Acesso em: 16 fev. 2026.

FERSECK, Sony. Apresentação. In: RODRIGUES, Adriana Cristina Aguiar [et al.] (Orgs.). Literatura indígena: práticas leitoras para a sala de aula. Rio Branco: Nepan Editora, 2023, p. 15-16. Livro digital.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

ORLANDI, Eni P. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 2005.

POTIGUARA, Eliane. Questão indígena brasileira: Visto minha própria pele sem medo. São Paulo: Cultura, 2024.

VAN DIJK, Teun A. Ideología y discurso: una introducción multidisciplinaria. Barcelona: Ariel, 2003.

VAN DIJK, Teun A. Discurso e poder. HOFFNAGEL, Judith; FALCONE, Karina (Orgs.). São Paulo: Contexto, 2008.

VAN DIJK, Teun A. Discurso e cognição na sociedade. Revista Portuguesa de Humanidades, v. 19, n. 1, 2015a. p. 19-52.

VAN DIJK, T. A. Ideologia. Letras de Hoje, p. s53-s61, 2015b.

VAN DIJK, Teun A. Discurso-cognição-sociedade: estado atual e perspectivas da abordagem sociocognitiva do discurso. Letrônica, p. s8-s29, 2016.

VOLOCHÍNOV, Valentin Nikolaievich. A construção da enunciação e outros enunciados. São Carlos: Pedro & João Editores, 2013.

YAMÃ, Yaguarê. Contos da Floresta. Ilustrações de Luana Geiger. São Paulo: Peirópolis, 2012.

Publicado

2026-09-20

Número

Sección

Dossiê "Vozes identitárias da literatura indígena brasileira contemporânea: do registro etnográfico à criação literária"

Cómo citar

Araujo, D. C. de, Souza do Nascimento, L., & Alvarenga Monteiro, I. de. (2026). RESISTIR E REENCANTAR: A LITERATURA INFANTIL E JUVENIL DE TEMÁTICA INDÍGENA SOB UMA PERSPECTIVA INTERCULTURAL DIALÓGICA. Revista De Letras Norte@mentos, 19(57), 201-221. https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14931