DESCOLONIZANDO O PENSAMENTO: A VOZ DA FLORESTA E O NAVIO NEGREIRO NO CONTEXTO CAPITALOCENO
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14951Palavras-chave:
Literatura indígena, Decolonialidade, Capitaloceno, A queda do céuResumo
Este artigo discute as relações entre colonialidade, exploração da natureza e produção de conhecimento a partir do diálogo entre a metáfora do porão do navio negreiro, formulada por Malcolm Ferdinand, e a voz da floresta presente na obra A queda do céu: palavras de um xamã yanomami (2015), de Davi Kopenawa e Bruce Albert. Parte-se da noção de capitaloceno, proposta por Donna Haraway (2016), para compreender a crise ecológica contemporânea não apenas como resultado da ação humana em geral, mas como consequência de um modelo civilizatório marcado pela lógica colonial e pela expansão do capitalismo. Nesse contexto, a narrativa de Kopenawa emerge como um contradiscurso decolonial que tensiona as epistemologias ocidentais e denuncia a destruição da floresta e dos modos de vida indígenas. A análise mobiliza aportes teóricos da crítica decolonial e dos estudos sobre literatura indígena, articulando autores como Quijano (2005), Mignolo (2015) e Krenak (2019). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e interpretativa que busca compreender como a narrativa xamânica articula cosmologia, memória e crítica política ao sistema capitalista. Argumenta-se que a obra de Kopenawa não se limita a uma denúncia ambiental, mas apresenta uma cosmologia alternativa que reposiciona a relação entre humanos, natureza e espiritualidade. Assim, a voz da floresta se configura como um gesto de resistência epistemológica que desafia as narrativas hegemônicas da modernidade e propõe outras formas de habitar o mundo.
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