POESIA INDÍGENA E DIALOGISMO: ESPALHANDO NO VENTO AS VOZES ORIGINÁRIAS DA POÉTICA DE ELIANE POTIGUARA
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i57.14937Palavras-chave:
Poesia Indígena, Dialogismo, Eliane Potiguara, EU-nósResumo
O presente artigo tem como objetivo apresentar e analisar a poesia de autoria indígena de Eliane Potiguara à luz do conceito de dialogismo proposto pelo teórico russo Mikhail Bakhtin. Parte-se da compreensão de que a palavra, conforme o pensamento bakhtiniano, não é neutra nem isolada, mas atravessada por múltiplas vozes, memórias e posicionamentos históricos. Nesse sentido, investigamos como a poesia de Potiguara se inscreve em uma rede ancestral e coletiva, na qual a experiência individual se articula a vozes familiares, políticas e ancestrais. A análise concentra-se em poemas presentes nas obras Metade cara, metade máscara (2019) e O vento espalha minha voz originária (2023), nas quais a autora constrói versos livres marcados pela presença da alteridade e do diálogo. Dialogando ainda com as reflexões de Trudruá Dorrico sobre a poética do eu-nós, evidencia-se que a escrita de Eliane Potiguara é, também, atravessada por um eu-nós que traduz a dimensão comunitária da palavra indígena, consolidando a literatura indígena como espaço eminentemente dialógico.
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