O Currículo do Ensino Básico em Moçambique: avanços ou retrocessos?
DOI:
https://doi.org/10.30681/faed.v42i1.15029Palavras-chave:
Currículo, Reforma curricular, Ensino básicoResumo
O presente artigo examina os impactos das reformas no ensino básico, com base em dados qualitativos recolhidos através de entrevistas semiestruturadas com 4 professores de escolas básicas do distrito de Manica. Os resultados revelam que: enquanto os professores da escola urbana tendem a reportar perceções mais favoráveis em relação aos métodos activos, ao domínio da língua portuguesa e à estrutura curricular, os professores da zona rural expressam maior cepticismo, destacando a persistência de dificuldades na leitura, na produção textual coerente, sobretudo, na adequação dos conteúdos ao contexto sociocultural e linguístico das crianças. Conclui-se que, apesar dos avanços normativos inegáveis, a implementação efectiva das inovações curriculares continua limitada por constrangimentos materiais, logísticos e capacitação de professores que não foram acautelados. As disparidades urbano-rurais não só persistem como tendem a ser agravadas quando as reformas são aplicadas sem mecanismos robustos de equilíbrio de recursos e de apoio diferenciado aos contextos mais vulneráveis.
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