O corpo que sobra, a voz que falta: memória, metamorfose e alteridade em Macunaíma
DOI:
https://doi.org/10.30681/rtakaa.v4i1.15365Palavras-chave:
Alteridade, Astúcia, Corpo, Memória, OralidadeResumo
Este artigo examina Macunaíma, de Mário de Andrade, a partir das relações entre corpo, memória, voz, território e alteridade, tomando a metamorfose não como ornamento fantástico, mas como procedimento narrativo que problematiza as condições de pertencimento e reconhecimento do herói. A pesquisa possui natureza qualitativa, bibliográfica e interpretativa, fundamentada em leitura cerrada do romance e em diálogo crítico com estudos sobre modernismo, oralidade, memória, colonialidade, territorialidade e relações entre humanos e não humanos. O percurso analítico concentra-se em cenas nas quais Macunaíma aprende a falar em meio ao trabalho e ao parentesco, separa a consciência do corpo durante a viagem, sofre o embranquecimento que interrompe sua legibilidade como filho dos Tapanhumas, presencia a transformação do corpo do filho em guaraná e depende da voz do papagaio para que sua história sobreviva ao desaparecimento da tribo. Examina-se também a astúcia do protagonista como ação social situada, construída por meio de disfarces, técnicas, narrativas improvisadas e leitura contingente das expectativas alheias. Conclui-se que o romance constrói uma memória fraturada, transmitida por corpos, paisagens, plantas, animais e narradores, recusando imagens fixas de identidade nacional e tornando visíveis as tensões entre perda, transformação e permanência, sem reduzir seus conflitos a uma síntese cultural conciliadora.
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