Fica empoderada lá na cozinha: metapragmáticas misóginas no league of legends
DOI:
https://doi.org/10.30681/2594.9063.2022v6n1id11651Palavras-chave:
League of Legends, (Im)polidez, Misoginia em jogos on-line, Violência linguístico-discursiva, MetapragmáticasResumo
Com este estudo, almejamos analisar a interação estabelecida por jogadores/as de League of Legends em uma partida, a fim de darmos visibilidade a recursos linguísticos-discursivos – explícitos e implícitos – usados em ofensas dirigidas a mulheres, que colaboram para a configuração de um cenário hostil no próprio jogo e impactam negativamente no dia a dia de jogadoras que sofrem – simbólica, linguística e discursivamente – misoginia. O estudo, inscrito no domínio da Sociolinguística Interacional e da Pragmática, articulou a teoria da (im)polidez e a noção de metapragmáticas no debate relativo à violência linguístico-discursiva no jogo. Por meio de uma abordagem qualitativa e (n)etnográfica, selecionamos uma interação com alta densidade de metapragmáticas misóginas para ser analisada à luz do conjunto teórico empreendido neste trabalho. A análise não só revelou danos à face positiva da Jogadora 2, mas, principalmente, evidenciou, em latente disputa discursiva, a emergência de metapragmáticas machistas, misóginas, sexistas, deslegitimadoras, desvalorizadoras, tóxicas, masculinistas, patriarcais, capacitistas e silenciadoras, sob disfarce hegemônico de brincadeira. Salientamos, por fim, a necessidade de medidas educativas e jurídicas eficazes no combate a violências de qualquer ordem em jogos on-line.
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