“A BARCA DE AMEN-EM-OPE” NA FORMAÇÃO DOCENTE

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30681/recs.v13i2.8822

Palavras-chave:

Referencial africano, Ubuntu, ERER, Formação docente

Resumo

O presente artigo objetiva discutir o racismo como fenômeno de estruturação das instituições sociais, determinando os modos de (re)produção das relações de subalternidade, por meio das diferenciações raciais, mediante imposição e educação sociocultural do lugar e do não-lugar dos/as negros/as na sociedade brasileira. Propõe-se repensar a educação brasileira, numa perspectiva afrocêntrica, analisando os lugares de apropriação dos saberes Ubuntu na formação docente inicial. Destaca-se o Curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA/Campus Codó-MA), considerando a Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) neste universo. No aspecto metodológico utiliza-se a revisão bibliográfica e documental, analisando como é possível a constituição de saberes Ubuntu na formação inicial de professores/as, tendo como referência a Lei nº 10.639/2003 e o Projeto Político Pedagógico do referido curso, sob a ótica decolonial e afrocentrada. Propõe-se uma viagem de retorno à África, em busca de outras epistemes que ajudem a (re)inventar perspectivas de formação docente, utilizando, por exemplo, o princípio da “Barca de Amen-em-ope”. Compreende-se que é possível (re)inventar ou re(criar) outras barcas epistêmicas ricas em contribuições na discussão e no aprofundamento de estudos acadêmicos acerca da formação docente, tendo como referência os conhecimentos da África e da diáspora afrodescendente para que os/as alunos/as afro-brasileiros/as também tenham suas histórias, conhecimentos e saberes valorizados e reconhecidos seja nas escolas da educação básica, seja nos cursos da educação superior, fortalecendo as/os estudantes em processo de formação docente com um potencial epistêmico transformador das realidades escolares, ainda ancoradas em visões monoculturais.

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Biografia do Autor

  • Soraia Lima Ribeiro de Sousa, Universidade Federal do Maranhão

    Mestra em Educação/UFMA. Técnica em Assuntos Educacionais/UFMA. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação Afrocentrada (MafroEduc Olùkọ́/CCSO/UFMA) e do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGe/UFMA).

  • Raimunda Nonata da Silva Machado, Universidade Federal do Maranhão

    Doutora em Educação. Docente do curso de Pedagogia/Departamento de Educação II e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade Federal do Maranhão. Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação Afrocentrada (MafroEduc Olùkọ́/CCSO/UFMA. Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGe/UFMA) e Núcleo Roda Griô/GEAfro (UFPI).

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Publicado

20/12/2023

Como Citar

“A BARCA DE AMEN-EM-OPE” NA FORMAÇÃO DOCENTE. (2023). Revista Educação, Cultura E Sociedade, 13(2), 158-168. https://doi.org/10.30681/recs.v13i2.8822

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