NARRATIVAS DO FANTÁSTICO E AUTORITARISMO NA OBRA DE CAIO FERNANDO ABREU

Autores

  • Livia Maria Rosa Soares IFMA

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.13262

Palavras-chave:

Fantástico, Regime Militar, Sobrenatural, Violência

Resumo

Este artigo objetiva investigar as imagens insólitas e desencadeadoras do efeito de estranhamento no conto “O mar mais longe que vejo” publicado na coletânea Inventário do ir-remediável (1970) de Caio Fernando Abreu. Na narrativa, há a sobreposição de planos que desencadeia visões alucinatórias de uma personagem que aparentemente encontra-se exilada em uma praia e sofre constantes alucinações e episódios de violência. Como não pode evitar fisicamente essas torturas, passa a imaginar e relembrar momentos de paz e tranquilidade, em que se via em segurança e em contato com a natureza. Desse modo, o poder que as imagens mentais possuem, mesmo em situações de caos e perturbação, são fundamentais para deixar esse momento de intensa violência menos doloroso e angustiante. O conto é uma excelente amostra das configurações das narrativas fantásticas brasileiras produzidas sobretudo no período do regime militar brasileiro, uma vez que tais recursos estéticos remetem às experiências de choque, o que repercute na demonstração de sentimentos de perturbação e de estranhamento. Nesse contexto, as ações insólitas evidenciam a estranheza e o mal-estar coletivo e soa como forma de transgressão e de desobediência. Como aporte teórico apresentaremos as considerações de Ceserani (2006), Roas (2011, 2014), Freud (2019), Eurídice Figueiredo (2017), Regina Dalcastagnè (1996, 2017), além de perspectivas latino-americanas do fantástico, como Campra (2008) e Barrenechea (1972).

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Biografia do Autor

  • Livia Maria Rosa Soares, IFMA

    Doutora em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras da UERN . Linha de pesquisa: Texto literário, crítica e cultura. Mestra em Letras pela UESPI área de concentração: Literatura, memória e cultura. Especialista em Literatura Comparada - UESPI, Graduada em Letras (Língua e Literatura) pela UFPI. É professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) Campus Araioses. Atualmente é Chefe do Departamento de Pesquisa, pós-graduação e Inovação. É membro do Grupo de estudos de Literatura e suas interfaces críticas (UERN) e do grupo de Pesquisa Literatura, leitura e ensino (UESPI). Atua no ensino de Literatura, Redação, Português Instrumental, Literatura infantojuvenil.

Referências

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Publicado

31/01/2026

Edição

Seção

Artigos Estudos Literários

Como Citar

Soares, L. M. R. (2026). NARRATIVAS DO FANTÁSTICO E AUTORITARISMO NA OBRA DE CAIO FERNANDO ABREU. Revista De Letras Norte@mentos, 19(56), 332-345. https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.13262