LAÇOS INTELECTUAIS
A POLÍTICA DA AMIZADE NA RECEPÇÃO CRÍTICA DE LOBIVAR MATOS
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14032Palavras-chave:
Amizade política, Lobivar Matos, crítica biográfica fronteiriçaResumo
Este estudo investiga as concepções de amizade na obra e no contexto social do poeta Lobivar Matos, analisando como suas relações afetivas e literárias desafiam os modelos tradicionais fraternais, em favor de uma amizade política, conforme teorizada por Jacques Derrida e Francisco Ortega. A pesquisa se justifica pela relevância do tema para os estudos literários e culturais, especialmente no que tange às relações de poder, memória e subalternidade na fronteira-sul. O objetivo central é examinar como Lobivar Matos construiu suas redes de amizade, articulando-as a um projeto literário descolonial, que incluía diálogos com críticos e escritores de sua época. Metodologicamente, a pesquisa se baseia em análise bibliográfica e crítica biográfica fronteiriça (Eneida Maria de Souza, Edgar Cézar Nolasco), explorando arquivos pessoais, resenhas e comentários publicados nos livros do poeta. Os resultados revelam que Lobivar cultivou amizades não fraternais, mas políticas, mediadas por trocas intelectuais e favores, como evidenciado nas críticas de Manoel de Barros, Cecílio Rocha e outros. Essas relações refletiam uma amizade desproporcional (Derrida), em que o vínculo não dependia de afeto, mas de interesses literários e sobrevivência cultural. Conclui-se que a amizade em Lobivar Matos funcionou como estratégia de inserção literária, permitindo-lhe circular entre elites intelectuais enquanto tematizava questões marginalizadas. A pesquisa contribui para os estudos pós-coloniais ao demonstrar como a amizade pode ser um ato político, reconfigurando tradições literárias. O autor aprendeu que a crítica biográfica fronteiriça permite ressignificar vínculos metafóricos com o passado, tornando Lobivar Matos um "amigo póstumo" na escrita acadêmica.
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