A FILHA PERDIDA DE ELENA FERRANTE

A CULTURA, A CLASSE E A OPRESSÃO DO INSTINTO MATERNO NA LITERATURA

Autores

  • Patrícia Pereira Porto Universidade de Caxias do Sul
  • Heloisa Maria Silveira Pontel Universidade de Caxias do Sul

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14172

Palavras-chave:

Elena Ferrante, A filha perdida, Classe, Instinto materno

Resumo

O artigo analisa o romance A filha perdida, de Elena Ferrante, à luz dos conceitos de cultura, opressão e classe, com foco na subversão do mito do instinto materno. A narrativa de Leda, protagonista que decide viver temporariamente afastada das filhas, evidencia as ambivalências da maternidade e desafia a idealização cultural da mãe abnegada. Utilizando teorias de autoras como Simone de Beauvoir (2019) bell hooks (2015) e Silvia Federici (2021), o estudo propõe que a maternidade, tradicionalmente romantizada, também opera como instrumento de opressão, ao impor papéis de gênero e funções sociais restritivas às mulheres. Através da análise literária, o artigo evidencia como Ferrante tensiona a noção de instinto materno, revelando sua construção cultural e seus impactos sobre o desejo feminino, a autonomia e a subjetividade. Ao destacar o alívio de Leda frente à ausência das filhas, a obra revela contradições do modelo tradicional de maternidade e oferece à literatura um espaço para narrativas alternativas e mais complexas sobre o feminino.

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Biografia do Autor

  • Patrícia Pereira Porto, Universidade de Caxias do Sul

    Doutora pelo Programa de Doutorado em Letras, Associação Ampla, UCS/UniRitter. Mestre em Memória Social e Patrimônio Cultural pela UFPel. Bacharel em violão pelo Curso Superior de Música da UFPel. Professora do Curso de Licenciatura em Música da Universidade de Caxias do Sul. Corpo Docente Permanente do Núcleo Interdisciplinar Cultura, Arte e Patrimônio da Universidade de Caxias do Sul e do Programa de Pós-Graduação em Letras e Cultura da Universidade de Caxias do Sul.

  • Heloisa Maria Silveira Pontel, Universidade de Caxias do Sul

    Mestranda em Letras e Cultura pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pesquisando sobre idade, gênero e classe nas protagonistas de Elena Ferrante, por meio de uma análise interseccional. Graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).

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Publicado

31/01/2026

Edição

Seção

Artigos Estudos Literários

Como Citar

Porto, P. P., & Pontel, H. M. S. (2026). A FILHA PERDIDA DE ELENA FERRANTE: A CULTURA, A CLASSE E A OPRESSÃO DO INSTINTO MATERNO NA LITERATURA. Revista De Letras Norte@mentos, 19(56), 346-363. https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14172