QUANDO O POEMA SE TORNA ESPAÇO

UMA INSTALAÇÃO CENOGRÁFICA A PARTIR DE SOLIDA, DE WLADEMIR DIAS-PINO

Autores

  • Vinícius Carvalho Pereira Universidade Federal de Mato Grosso
  • Douglas Peron Pereira Universidade Federal de Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14291

Palavras-chave:

poesia visual, cenografia, intermidialidade

Resumo

Para esta pesquisa, foi concebida uma instalação cenográfica performativa inspirada no livro-poema visual SOLIDA, de Wlademir Dias-Pino, com o objetivo de explorar as possibilidades de transposição do texto poético para um espaço físico e sensorial. A proposta fundamenta-se na noção de que o poema pode existir em múltiplas versões, sem uma forma única e definitiva, articulando a relação entre palavra, luz, corpo e espaço como elementos construtivos da experiência estética. A instalação é composta por sete caixas de MDF iluminadas, cada uma representando uma letra do poema, conectadas a interruptores independentes, permitindo que o público, ao acionar as luzes, gere diferentes combinações e leituras. A metodologia adotada corresponde à pesquisa artística, desenvolvida por meio de experimentações práticas no ateliê, testes de disposição espacial, iluminação e interação, em diálogo com referências teóricas sobre poesia visual, cenografia contemporânea e intermidialidade. A obra foi apresentada ao público em julho de 2025, no Festival Baguncinha, em Cuiabá/MT, e as interações dos visitantes foram registradas por meio de fotografias e vídeos. Os resultados indicam que o livro-poema SOLIDA pode ser expandido no tempo e no espaço, gerando novas formas de recepção. A investigação evidencia aproximações entre poesia visual, cenografia e intermidialidade, contribuindo para a ampliação dos modos de fazer e perceber a poesia em contextos expositivos e performativos.

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Biografia do Autor

  • Vinícius Carvalho Pereira, Universidade Federal de Mato Grosso

    Doutor e Mestre em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bacharel e Licenciado em Letras Português-Inglês pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor Associado II do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Estágio pós-doutoral na Universidade de Nottingham (UoN), no Reino Unido. Bolsista produtividade do CNPq

  • Douglas Peron Pereira, Universidade Federal de Mato Grosso

    Artista pesquisador de cenografia e da linguagem de formas animadas. Desenvolve seus trabalhos a partir das técnicas do teatro de formas animadas (escultura, papietagem, criação de moldes, títeres).Em 2017 fundou o coletivo SPECTROLAB que investiga e cria em artes da cena, no qual émembro até os dias atuais. Formado em Engenharia Civil na UFMT, é mestre em Estudos de Cultura Contemporânea na mesma Universidade e atualmente Doutorando em Estudos de Linguagem, na UFMT. Formador do curso de Cenografia e Figurino na MT Escola de Teatro em parceria com a UNEMAT desde 2019. Integrante da equipe do Instituto Kurâdomôdo Cultura Sustentável, onde atuam em diferentes frentes da cultura e meioambiente. Fundador do Labirinto Espaço Criativo em Cuiabá, um lugar dedicado as artes.

Referências

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Publicado

31/01/2026

Edição

Seção

Artigos Estudos Literários

Como Citar

Pereira, V. C., & Pereira, D. P. (2026). QUANDO O POEMA SE TORNA ESPAÇO: UMA INSTALAÇÃO CENOGRÁFICA A PARTIR DE SOLIDA, DE WLADEMIR DIAS-PINO. Revista De Letras Norte@mentos, 19(56), 185-200. https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14291