QUANDO O POEMA SE TORNA ESPAÇO
UMA INSTALAÇÃO CENOGRÁFICA A PARTIR DE SOLIDA, DE WLADEMIR DIAS-PINO
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14291Palavras-chave:
poesia visual, cenografia, intermidialidadeResumo
Para esta pesquisa, foi concebida uma instalação cenográfica performativa inspirada no livro-poema visual SOLIDA, de Wlademir Dias-Pino, com o objetivo de explorar as possibilidades de transposição do texto poético para um espaço físico e sensorial. A proposta fundamenta-se na noção de que o poema pode existir em múltiplas versões, sem uma forma única e definitiva, articulando a relação entre palavra, luz, corpo e espaço como elementos construtivos da experiência estética. A instalação é composta por sete caixas de MDF iluminadas, cada uma representando uma letra do poema, conectadas a interruptores independentes, permitindo que o público, ao acionar as luzes, gere diferentes combinações e leituras. A metodologia adotada corresponde à pesquisa artística, desenvolvida por meio de experimentações práticas no ateliê, testes de disposição espacial, iluminação e interação, em diálogo com referências teóricas sobre poesia visual, cenografia contemporânea e intermidialidade. A obra foi apresentada ao público em julho de 2025, no Festival Baguncinha, em Cuiabá/MT, e as interações dos visitantes foram registradas por meio de fotografias e vídeos. Os resultados indicam que o livro-poema SOLIDA pode ser expandido no tempo e no espaço, gerando novas formas de recepção. A investigação evidencia aproximações entre poesia visual, cenografia e intermidialidade, contribuindo para a ampliação dos modos de fazer e perceber a poesia em contextos expositivos e performativos.
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