ORALITURA KIGANDA DE UGANDA E SUAS EXPRESSÕES
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14329Palavras-chave:
Oralitura, Buganda, Kiganda, MemóriaResumo
Localizado na região centro-sul de Uganda, o Reino de Buganda foi fundado por Kintu, primeiro homem, assim como contado no mito criacional central na tradição oral deste povo. A oralitura kiganda (adjetivo em língua luganda que refere-se a Buganda) inclui além de contos populares (os mitos, lendas), os epigramas (provérbios, charadas), as canções, as danças e mais recentemente, os textos, livros e demais expressões que refletem tanto a cosmopercepção quanto a memória e cultura deste povo. O objetivo deste artigo é apresentar a oralitura kiganda e algumas de suas expressões de maneira a demonstrar a rica teia de tradição em Buganda. O conceito de oralitura desenvolvido por Mirville (1974) e expandido por Martins (2021) nos dá um panorama de como a tradição oral, a grafia da memória (seja da palavra, do corpo, da escrita) entrelaçam-se, não havendo hierarquia entre saberes e práticas. Contribuirão para o diálogo sobre o tema os posicionamentos de Adeoti (2015), Bâ (2010), Fonseca (2021), Kizza (2020), Ki-Zerbo (2010), Lopes e Simas (2020), Luckesi (2023), Martins (2021) e Nannyonga-Tamusuza (2005). Conclui-se que existe uma pluralidade das grafias da memória de forma a alimentar o conhecimento, a cultura, a cosmopercepção, tanto do sujeito quanto do coletivo. Entende-se que em Buganda a literatura e seus registros escritos afastam-se de uma perspectiva ocidental de privilégios em relação às outras grafias de memória, integrando-se à oralitura.
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