“FUGAS DA ETERNIDADE DE SER ESTÁTUA”
DESLOCAMENTO E IMPERMANÊNCIA EM “O MENINO QUE FAZ XIXI”, DE LUCINDA PERSONA
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14336Palavras-chave:
Lucinda Persona, Descentralização, Fluidez, Erotismo, Modernidade LíquidaResumo
Este artigo propõe uma leitura do conto “O menino que faz xixi”, de Lucinda Persona, à luz de conceitos como o de “descentralização” (Hall, 2022) e de “fluidez” (Bauman, 2021), que se desdobram nas noções de impermanência e transitoriedade, compreendidas como categorias que atravessam distintas dimensões da experiência humana: da constituição subjetiva às relações afetivas, das formas de estar no mundo à fruição estética. O artigo organiza-se em duas partes. A primeira, de cunho teórico, parte da perspectiva de Marshall Berman sobre os dilemas da modernidade, marcada por instabilidade, desenraizamento e ambivalência, e estabelece um diálogo com Stuart Hall e Zygmunt Bauman, ampliando a reflexão para os efeitos subjetivos da crescente “liquidez” da vida contemporânea. Esses conceitos orientam nossa análise. A segunda parte, dividida em três seções, dedica-se à leitura da narrativa. A primeira aborda sua estruturação em dois tempos distintos e também numa dualidade espacial, destacando como o quarto de hotel reflete o estado emocional do narrador e funciona como espaço da rememoração. A segunda examina o deslocamento e o “estar em trânsito” como elementos estruturantes da experiência do protagonista. Por fim, a terceira analisa a rememoração da cena principal, que constitui o clímax da narrativa e condensa as tensões entre corpo, desejo e identidade. A análise evidencia que a narrativa constrói uma poética da impermanência, na qual o deslocamento e a irrupção do desejo operam como vetores de descentralização do sujeito, conduzindo à compreensão de uma experiência marcada pela fluidez, pela instabilidade dos vínculos e pela recusa de formas identitárias fixas.
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Referências
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