“FUGAS DA ETERNIDADE DE SER ESTÁTUA”

DESLOCAMENTO E IMPERMANÊNCIA EM “O MENINO QUE FAZ XIXI”, DE LUCINDA PERSONA

Autores

  • Helvio Moraes UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO - UNEMAT
  • Igor Paulo Rodrigues Pereira Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

DOI:

https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14336

Palavras-chave:

Lucinda Persona, Descentralização, Fluidez, Erotismo, Modernidade Líquida

Resumo

Este artigo propõe uma leitura do conto “O menino que faz xixi”, de Lucinda Persona, à luz de conceitos como o de “descentralização” (Hall, 2022) e de “fluidez” (Bauman, 2021), que se desdobram nas noções de impermanência e transitoriedade, compreendidas como categorias que atravessam distintas dimensões da experiência humana: da constituição subjetiva às relações afetivas, das formas de estar no mundo à fruição estética. O artigo organiza-se em duas partes. A primeira, de cunho teórico, parte da perspectiva de Marshall Berman sobre os dilemas da modernidade, marcada por instabilidade, desenraizamento e ambivalência, e estabelece um diálogo com Stuart Hall e Zygmunt Bauman, ampliando a reflexão para os efeitos subjetivos da crescente “liquidez” da vida contemporânea. Esses conceitos orientam nossa análise. A segunda parte, dividida em três seções, dedica-se à leitura da narrativa. A primeira aborda sua estruturação em dois tempos distintos e também numa dualidade espacial, destacando como o quarto de hotel reflete o estado emocional do narrador e funciona como espaço da rememoração. A segunda examina o deslocamento e o estar em trânsito como elementos estruturantes da experiência do protagonista. Por fim, a terceira analisa a rememoração da cena principal, que constitui o clímax da narrativa e condensa as tensões entre corpo, desejo e identidade. A análise evidencia que a narrativa constrói uma poética da impermanência, na qual o deslocamento e a irrupção do desejo operam como vetores de descentralização do sujeito, conduzindo à compreensão de uma experiência marcada pela fluidez, pela instabilidade dos vínculos e pela recusa de formas identitárias fixas.

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Biografia do Autor

  • Helvio Moraes, UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO - UNEMAT

    Doutor em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Professor de Literatura na Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT, campus de Tangará da Serra. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – PPGEL/UNEMAT.

  • Igor Paulo Rodrigues Pereira, Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

    Doutorando e Mestre em Estudos Literários /PPGEL, pela UNEMAT de Tangará da Serra. Licenciado em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, Campus Pontes e Lacerda -MT, no ano de 2021.

Referências

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Publicado

31/01/2026

Edição

Seção

Artigos Estudos Literários

Como Citar

Moraes, H., & Pereira, I. P. R. (2026). “FUGAS DA ETERNIDADE DE SER ESTÁTUA”: DESLOCAMENTO E IMPERMANÊNCIA EM “O MENINO QUE FAZ XIXI”, DE LUCINDA PERSONA. Revista De Letras Norte@mentos, 19(56), 201-218. https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14336