O MENINO, O ESCRITOR E O MUNDO
A TIPICIDADE EM INFÂNCIA, DE GRACILIANO RAMOS
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14365Palavras-chave:
Graciliano Ramos, Infância, Modernismo brasileiro, TipicidadeResumo
O presente artigo busca analisar o romance-confissão Infância (1945), de Graciliano Ramos, a partir da crítica literária dialética, observando o modo como a tipicidade (Lukács, 1968;) se apresenta na obra como procedimento estético a partir do qual as personagens que compõem o relato são figuradas no texto de maneira não coisificada. Configurado como um duplo entre menino e adulto (Candido, 2006), o narrador de Infância figura a realidade vincando-a em uma dobra temporal em que passado e presente, experiência vivida e elaboração da narração se cruzam e se imbricam pela ação das duas vozes narrativas. O resultado desse processo é a fixação de um olhar que busca compreender um mundo estranho – tanto o do passado quanto o do presente da narração – de maneira alteritária e responsiva. Dessa maneira, no livro, vemos a formação não apenas do sujeito ou do escritor, mas do cidadão Graciliano Ramos.
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