ENTRE O PRESCRITO E O PRATICADO: A NORMA-PADRÃO NO ENEM E A VARIAÇÃO NA BNCC
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v18i55.14436Palavras-chave:
Diversidade linguística, Norma, BNCC, ENEMResumo
Este artigo analisa a contradição entre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no ensino de língua portuguesa. Enquanto a BNCC propõe uma abordagem centrada na produção textual como prática social, autoral e intencional, valorizando a diversidade de gêneros e a reflexão sobre as variações linguísticas, o ENEM mantém o foco na norma culta e norma padrão, materializada na Competência 1 da Cartilha do candidato ao ENEM (2024). Objetiva-se analisar como essa exigência que oscila entre norma culta e norma padrão pode afetar a correção e, consequentemente, a nota. A análise documental e bibliográfica demonstra que a BNCC adota uma perspectiva sociolinguística, incentivando a análise do uso real da língua e combatendo o preconceito por meio do tratamento de fenômenos de variação. Em contrapartida, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) penaliza essas mesmas variações, como a ausência de marcador de plural ou dificuldades na estrutura verbo-sujeito, como desvios ou erros. Conclui-se que as práticas avaliativas do ENEM contrariam as diretrizes curriculares, reforçando a necessidade de domínio da norma padrão criando um dilema pedagógico para os professores.
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