AINDA ESTOU AQUI
MEMÓRIA E RESISTÊNCIA
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14794Palavras-chave:
Ditadura, Memória, Autobiografia, ResistênciaResumo
O escritor contemporâneo Marcelo Rubens Paiva tem contribuído para repensar a história recente do Brasil, marcada pela repressiva ditadura militar. Em Ainda estou aqui (2015), o autor revisita, sob um viés memorialístico, suas vivências durante o regime ditatorial. Em 2024, Walter Salles, dirigiu o longa homônimo e projetou para o mundo o nefasto regime militar que se abateu sobre o Brasil, violou direitos humanos, assassinou inocentes, aumentou a desigualdade social e desmantelou o processo democrático brasileiro. Foram vinte e um anos de repressão e silenciamento das vozes dissonantes, enquanto o discurso oficial pretendia combater o comunismo e preservar, de forma ilusória, a ordem, a segurança e o progresso. Este estudo tem como objetivo demonstrar em que medida o romance Ainda estou aqui se apresenta como uma obra de memória e resistência, além de investigar as razões pelas quais o autor identificou a necessidade de reexaminar suas memórias da ditadura e narrar suas lembranças cinquenta anos depois. Para a leitura e análise da obra, adotam-se os aportes teóricos de Jacques Le Goff (1990), para estudar as convergências entre história e memória; Maurice Halbwachs (1990), que investiga a interdependência entre a memória individual e a coletiva; e Paul Ricoeur (2007), com o intuito de refletir sobre a relação entre memória e esquecimento. Ainda estou aqui se constitui como uma narrativa de (re)existência simbólica, em que a dor pessoal é transformada em ato político e testemunho coletivo, reafirmando a literatura como espaço de memória, denúncia e resistência.
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