LITERATURA PENSANTE: RASTROS DE DERRIDA, LISPECTOR E NIETZSCHE
DOI:
https://doi.org/10.30681/rln.v17i47.12147Palavras-chave:
Literatura, Escrita, Corpo, VidaResumo
O presente ensaio é um convite para Brincar de pensar. Atravessados pela crônica de Clarice Lispector, uma abertura acontece, e nesse movimento, somos convidados a pensar junto com outrem. Dessa forma, vamos seguir alguns rastros de Jacques Derrida, a partir de sua entrevista, realizada por Derek Attridge, em 1989: “Essa estranha instituição chamada Literatura”. Com base em suas elucubrações, iremos pensar o conceito de Literatura, dialogando com a escrita, o corpo e o movimento, que permeiam a escrita-corpo de Lispector e Nietzsche. O filósofo alemão sempre elaborou críticas à tradição metafísica, defendendo uma visão holística do mundo. Para Nietzsche, tudo é corpo. Essa concepção reverbera em seu estilo de escrita ou em seus “estilos”, como comenta Derrida. De forma semelhante, Lispector esboça uma experimentação da escrita, costurando seus textos de muitas maneiras, a partir de fragmentos e anotações, como se estivesse tecendo um “livro montagem”. Além disso, o escritor alemão busca aproximar seus estudos da vida, sendo contra ao pensamento que se pretende neutro e desinteressado. Nietzsche tem um certo gosto por uma escrita que se movimenta, pois, para ele, só é válido os “pensamentos caminhantes”. Lispector, assim como Nietzsche, salienta que a escrita deve ser tecida com sangue, como se de fato a palavra fosse ferir a matéria. É, portanto, por essa via que caminharemos.
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